sábado, 22 de novembro de 2014

Ramones e Sepultura: 20 anos de um show de rock pauleira na Pedreira


Dia 12 de novembro, completaram-se 20 anos da realização de um dos shows de rock mais lendários que já ocorreram no Paraná. A passagem da turnê Acid Chaos, que trouxe a Curitiba as bandas Ramones e Sepultura. Nem o temporal que caiu durante boa parte da noite estragou a festa das mais de 30 mil pessoas que foram até a Pedreira Paulo Leminski assistir a estes dois gigantes da música.

Dois motivos fazem destas as melhores e mais importantes apresentações de rock que já vi na vida e certamente nada do que eu possa ver ainda pela frente vai se igualar:

1º: foi a primeira vez que fui a um grande show, onde encontrei as pessoas mais loucas que eu havia visto até então.

2º: foi a primeira e última vez em que assisti os Ramones ao vivo, que na época já havia se tornado a minha banda preferida e que a considero da mesma maneira ainda hoje.


Pra quem nunca tinha visto tanta gente reunida, tudo era novidade. Tudo era “ANIMAAAAL”! A polícia descendo o cacete no povo na entrada da Pedreira; as montanhas de garrafas de pinga-uísque-vodka apreendidas pelos seguranças na portaria; as garrafinhas de água cheias de pedra que os sem-noção atiravam pro alto e que, quando caíam na cabeça de alguém, faziam um estrago danado; muita fumaça no ar de cigarros suspeitos que passavam de mão em mão no meio da multidão...

“Comportamento nota zero, disposição a mil”, descreveu o repórter da Rede Globo no vídeo aí de cima.

Com um bando de doido desses, meus amigos e eu ficamos assistindo tudo meio de longe, com medo de levar porrada da galera. Foi assim que vimos o Raimundos – o grande sucesso nacional da época quando havia acabado de lançar o seu primeiro disco – abrir a noitada.

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P.S: O Viper tocou antes dos Raimundos, mas eu não vi. Mas como o Viper sempre foi ruim então não conta...
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Mas quis o destino que a gente assistisse o Sepultura e o Ramones na frente do palco. Na manhã do show, dois amigos e eu fomos dar uma caminhada por Curitiba e quando passamos em frente à rodoviária, um cabeludo de jaqueta de couro com uns dois metros de altura recém-chegado de São Paulo nos perguntou onde estavam vendendo ingressos para o show. Lembre-se que na época não havia venda de ingressos pela internet e nem área VIP, então era possível comprar ingressos em cima da hora.

Como a gente estava indo para o Shopping Müller, acompanhamos o cabeludo de jaqueta de couro de dois metros de altura até lá para ele poder comprar sua entrada. Como o cara disse que já tinha visto o Ramones outras vezes em São Paulo, no caminho enchemos o cara de perguntas: Como é o show do Ramones? O público agita muito? Sai muita porrada entre punks e metaleiros? Esse tipo de pergunta besta de moleque do interior que nunca tinha visto muita coisa na vida.

Mas uma pergunta foi um sinal da nossa sorte para o show que aconteceria à noite:

“Você costuma assistir ao show na frente do palco ou nos fundos?”.

“Com esse meu tamanho”, ele respondeu, “eu assisto o show de onde eu quiser!”.

Se o cara estava falando, quem de nós iria discordar...

Comprado o ingresso do cabeludo de jaqueta de couro com dois metros de altura, cada um foi pro seu lado e aquela conversa mole de sempre na despedida, tipo: “Falou, qualquer coisa a gente se encontra por lá”.


Então: terminado o show dos Raimundos, um outro amigo e eu, que já havíamos nos perdidos dos demais, estávamos quase lá no fundão da Pedreira esperando o Sepultura começar. Para dois moleques como a gente, não havia a menor chance de irmos sozinhos até a frente do palco assistir aos shows e sair vivo de lá.

Quando já estávamos conformados com a situação, quem passa do lado da gente? Claro que o cara cabeludo de jaqueta de couro com dois metros de altura! “E aí piazada, vão ficar vendo o show daí ou querem ir lá na frente? Tô indo pra lá, vem atrás!”.


Juro pra vocês! No caminho até a frente do palco, o cara parecia Moisés abrindo o Mar Vermelho para a travessia dos judeus! Com cara de poucos amigos e seus dois metros de altura, ele ia avançando conosco no meio da multidão até chegarmos lá na frente. “Aqui tá bom pra vocês? Qualquer coisa estou por aqui!”. Mas é claro que estava tudo ótimo!

O que aconteceu dali pra frente foi um pandemônio total. Corpos voavam sobre nossas cabeças, empurra-empurra, chutes nas canelas de todo mundo, enquanto uma tempestade inundava a Pedreira e o Sepultura moía ouvidos, tendo como carro chave as canções de seu recém-lançado disco “Chaos A.D.”. Só vendo mesmo para entender o que foi aquilo.

Depois vieram os Ramones:

One two three four!”, “Gabba Gabba Hey”, “Hey Ho Let’s Go!” e a noite entrou pra história! Foi lindo de ver...

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