quinta-feira, 28 de abril de 2011

“Rio”, o filme


Em cartaz nos cinemas espalhados pelo mundo desde o início de abril, o filme “Rio” colocou as asinhas de algumas aves brasileiras na Calçada da Fama de Hollywood. Dos mesmos criadores do sucesso “A Era do Gelo”, a animação é dirigida e produzida pelo brasileiro Carlos Saldanha. O filme conta a história de Blu, uma ararinha-azul domesticada que acaba vindo ao Rio de Janeiro, onde vive uma série de aventuras.

A personagem principal foi inspirada na ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), espécie já extinta natureza, da qual existem pouquíssimos exemplares criados em cativeiro. Como pano de fundo, além das riquezas naturais do Brasil, o filme também aborda a destruição da natureza e o tráfico de animais. Grandes estrelas de Hollywood, como Anne Hathaway, Jesse Eisenberg e Rodrigo Santoro dão voz às personagens de “Rio” na versão original do filme.

Assistir “Rio” é um programa do gênero “pra toda a família”. Sucesso de bilheteria em diversos países – inclusive no Brasil, superando Tropa de Elite 2. Uma espécie de Zé Carioca do século 21, a ararinha Blu e seus parceiros conseguem vender uma imagem muito positiva do país (e olha que com o fiasco cada vez maior da organização da Copa de 2014, o Brasil está precisando mesmo achar um motivo pra ficar bonito aos olhos do mundo).

Filme pra turista, “Rio” é claro que reforça inúmeros clichês sobre o país como o Carnaval, as praias, a sensualidade das mulheres, o futebol, a ginga do malandro carioca e, certamente, as belezas naturais. Nem mesmo as favelas e os famosos motoboys ficaram de fora. Enfim, tudo aquilo pelo qual o Brasil é lembrado no exterior, com exceção do Lula!

Tudo muito educativo, belo e divertido e, melhor, com uma forte mensagem conservacionista conduzindo toda a trama. Um filme obrigatório para todas as crianças de dois a 90 anos de idade.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Príncipe William & Kate Middleton e outras histórias que abalaram o mundo


Nesta sexta-feira, acontece o casamento do príncipe William e sua noiva Kate Middleton. Comoção mundial, correria da imprensa atrás de detalhes muito importantes (como se bolo de casamento vai ser ou não enfeitado com fios de ovos e recheado com abacaxi), transmissão ao vivo pela televisão para um público estimado em 2 bilhões de pessoas. Tamanha importância nos faz pensar se a história do mundo ocidental – que nos últimos dois milênios foi dividida entre antes e depois de Cristo – a partir desta semana não poderia ser contada entre antes e depois do casamento de William e Kate (a.W&K – d. W&K)...

E claro que devemos estar preparados para um momento histórico dessa magnitude. E nessa hora nada melhor do que saber tudo sobre o interessante caso de amor entre o príncipe inglês e a plebeia. A dica, além de assistir a todos os programas de fofoca, é ler o recém lançado livro “William & Kate: uma história de amor real”. De autoria de James Clench, a obra, desde já um clássico da literatura universal, promete te revelar tudo sobre a emocionante vida do casal herdeiro do trono real inglês.

E nessa onda de grandes livros que retratam fatos que mudaram os rumos da história da humanidade, segue uma listinha de publicações da maior relevância intelectual e cuja leitura é obrigatória:


“GEISY ARRUDA: VESTIDA PARA CAUSAR”
Geisy Arruda foi manchete dos principais jornais do Brasil quando, após aparecer com um vestido provocante e ter sido ofendida por alunos da faculdade em que cursava turismo, foi expulsa da instituição. Neste livro, de autoria de Fabiano Rampazzo ela conta como tudo aconteceu. E mais, revela que perdeu a virgindade aos 13 anos com um usuário de drogas!


“AINDA LEMBRO”
Vencedor do "Big Brother Brasil" em 2005, o professor universitário Jean Wyllys conta qual foi o impacto da fama no seu cotidiano. Ele assumiu sua homossexualidade durante o reality show. Sobre a família, ele diz que o pai "tinha problemas com o álcool" e morreu de câncer na base da língua. Os dois tinham uma relação complicada, distante, como se houvesse uma "parede de gelo" entre eles. A segunda parte do livro de Jean traz crônicas e contos antigos, premiados pela Fundação Casa de Jorge Amado. Revelação bombástica: Jean Wyllys um dia quer ser como Paulo Coelho!


“O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO”
Bruna Surfistinha, nome de guerra da ex-garota de programa Raquel Pacheco, virou fenômeno nacional com sua história ousada, picante e dramática. Tudo começou com a publicação de relatos picantes dos programas que fez com homens, mulheres e casais em seu blog. Em "O Doce Veneno do Escorpião", você vai conhecer detalhes reveladores da menina de classe média alta que trocou os finais de semana com a família no Guarujá para se prostituir aos 17 anos. E pasmem: o livro vem com 36 páginas negras lacradas, que apenas atrasam a leitura deste livro que ninguém entende como não foi premiado com o Nobel de Literatura.


“O QUE APRENDI COM BRUNA SURFISTINHA”
Não sabendo como extravasar tamanha genialidade, Raquel Pacheco escreveu este novo livro, no qual revela o que aprendeu com o seu lado puta! Ela não poupa seus clientes famosos. Ela fala sobre a terrível experiência sexual (será que foi mais terrível que a do Ronaldo Fenômeno com o traveco?) que teve com um apresentador de TV, conta sobre o jogador de futebol que teve um chilique porque não foi reconhecido por ela e outras histórias picantes envolvendo clientes célebres. Imperdível!


“NA CAMA COM BRUNA SURFISTINHA”
Um é pouco, dois é bom, três é demais! Iluminada, intergalática, a maior intelectualidade viva do universo! Você não pode deixar de ler o livro mais polêmico de Raquel Pacheco, a incrível Bruna Surfistinha. A ex-garota de programa traz novos relatos da época em que ela trabalhou como prostituta. Aqui, ela explica por que toda mulher tem o sonho de ser garota de programa por um dia (é verdade?) e por que os homens são tão loucos por sexo anal (olhaaaaa!!!). Conta como tirar proveito da masturbação, ensina como explorar o corpo dela e dele, e como encontrar prazer onde você jamais imaginava sentir. Também revela os códigos de comportamento em um clube de swing ou numa transa a três e o que os casais devem saber antes de contratar uma garota de programa. O livro vem lacrado (tamanha informação não se obtém assim fácil) e tem um selo com a recomendação de leitura para maiores de 18 anos.


“CAMINHO DAS BORBOLETAS”
Adriane Galisteu publicou essa preciosidade da literatural universal logo após a morte do seu então namorado, Ayrton Senna do Brasillll! Este livro é o resultado de trinta horas de depoimentos, gravados em Sintra, Portugal. É um mergulho num baú repleto de cartas, bilhetes, papéis rascunhados, agendas profusamente anotadas – sim, Adriane Galisteu ainda conserva aquela doce mania de transformar suas agendas em diários teen, engordados com recortes e fotografias e recheados de divagações. Tudo isso para revelar ao leitor os 405 dias em que ela esteve ao lado de Ayrton Senna. Tudo tão emocionante...

sábado, 23 de abril de 2011

Coelho da Páscoa já se deu bem...


Certa vez o Coelho não levou os ovos; preferiu ficar com a galinha...

FELIZ PÁSCOA!!!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Foo Fighters e o Dia da Loja de Discos


Apenas algumas semanas após o lançamento do aguardado álbum de inéditas “Wasting Light”, o Foo Fighters brindou novamente os fãs no último sábado. Agora, com o disco “Medium Rare”, uma coletânea com 13 músicas, todas regravações realizadas pela bandas ao longo da carreira. Entre as faixas estão músicas de bandas como Pink Floyd, Ramones e Cream.

A compilação do Foo Fighters é um dos lançamentos especiais que incontáveis bandas colocaram à venda no último sábado, 16 de abril, data que marca o Record Store Day. Criado em 2007 nos Estados Unidos, o Dia da Loja de Disco surgiu como uma forma de incentivar a venda de discos nessa época de crise da indústria fonográfica, que também tem obrigado muitas lojas de discos a fecharem as portas.

Desde o primeiro Record Store Day, é cada vez maior o número de bandas que têm preparado materiais especiais para serem lançados na data, com um detalhe: todos os títulos são limitados, lançados apenas em vinil e colocados à venda, preferencialmente, somente em lojas de discos.

Mas isso não impede que esses materiais raros cheguem rapidinho à internet para download dos fãs, como é o caso de “Medium Rare”, do Foo Fighters. O tracklist dessa compilação da banda de Dave Grohl & Cia. é:

1.”Band on the Run” (Wings cover)
2. “I Feel Free” (Cream cover)
3. “Life of Illusion” (Joe Walsh cover) 3:40
4. “Young Man Blues” (Mose Allison cover) (Live at Austin City Limits)
5. “Bad Reputation” (Thin Lizzy cover)
6. “Darling Nikki” (Prince and The Revolution cover)
7. “Down in the Park” (Gary Numan and Tubeway Army cover)
8. “Baker Street” (Gerry Rafferty cover)
9. “Danny Says” (Ramones cover Featuring Greg Bissonette on Drums)
10. “Have a Cigar” (Pink Floyd cover)
11. “Never Talking to You Again” (Hüsker Dü cover) (Live)
12. “Gas Chamber” (Angry Samoans cover)
13. “This Will Be Our Year” (The Zombies cover)

LINK PARA DOWNLOAD:
http://www.filesonic.com/file/718725644/FFighters.rar


Mais informações sobre o Record Store Day:
www.recordstoreday.com

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Joey Ramone: há 10 anos silenciava a voz do pioneiro do punk rock


Há exatos 10 anos, morria Joey Ramone, vocalista dos Ramones – banda novaiorquina que criou, na metade dos anos 70, um dos estilos mais radicais do rock, o punk. Nascido Jeffrey Hyman, o cantor faleceu na tarde de 15 de abril de 2001, quando dormia, cercado por familiares e amigos. Enquanto no quarto tocava “In a Little While”, do U2, Joey (49 anos) foi finalmente derrotado por um linfoma, tipo de câncer contra o qual lutava desde a metade dos anos 90 e que foi um dos motivos que causaram o fim dos Ramones, em 1996.

Fisicamente esquisito nos seus dois metros de altura, diagnosticado já na adolescência com transtorno obsessivo-compulsivo, usando sempre óculos de lentes do tipo “fundo de garrafa”, Joey era o avesso do que geralmente se espera de um rock star. “Um gentleman, quem diria, por baixo daquela cabeleira toda”, escreveu em 1991 o jornalista André Forastieri em uma reportagem sobre o cantor na finada revista Bizz.

“Era um cara muito simples, bem educado, falava com todo mundo, não demonstrava nenhuma afetação ou ar de superioridade. Tudo que se espera de um verdadeiro punk”, definiu por e-mail o também jornalista André Barcinski que, entre outros encontros, entrevistou o cantor no apartamento dele em Nova York para o livro “Barulho”, lançado no início dos anos 90.

Origens

Fã de grupos clássicos como Beatles, Rolling Stones e The Who e de outras lendas do underground como Stooges e New York Dolls, Joey deu o ponta-pé inicial na sua carreira como vocalista da obscura banda de glam rock Sniper, da qual ele logo foi chutado por ser considerado feio demais.

Já o início da banda que o tornou famoso se deu em 1974, no bairro do Queens, em Nova York. Inicialmente, o grupo era um trio formado por Johnny na guitarra, Dee Dee no baixo e vocal e Joey na bateria. Mas, logo nos primeiros ensaios o empresário da banda Thomas Erdelyi percebeu a falta de aptidão de Joey com as baquetas e convenceu-o a assumir os vocais, enquanto também tentava conseguir um novo baterista para a banda. Como ninguém apareceu, o próprio empresário ficou com o posto: adotou o apelido de Tommy e, como os demais músicos da banda, assumiu o sobrenome Ramone.

Nascia assim a formação clássica dos Ramones e o que veio depois disso todo mundo que se interessa por rock já conhece. Com o álbum de estreia, lançado em 1976 e que trazia apenas o nome da banda e 14 faixas espremidas em apenas 29 minutos, o grupo inaugurou o punk rock e influenciou toda uma cena musical que, mais do que nos Estados Unidos, fez explodir um barril de pólvora na Inglaterra e inspirou o surgimento imediato de grupos como os Sex Pistols, The Clash e Buzzcocks, que imitavam os ídolos novaiorquinos na música e nas roupas.

Na sequência do primeiro disco, em 1977 os Ramones lançaram também os álbuns “Leave Home” e “Rocket to Rússia” (este considerado por muitos a obra-prima da banda). No ano seguinte, já com o baterista Marky, o grupo lançou “Road to Ruin”, disco que encerra a fase áurea do grupo, que depois disso viu seus membros se afundarem cada vez mais em problemas com drogas e álcool, ao mesmo tempo em que o relacionamento entre eles começava a ficar cada vez mais hostil – o que pode ser visto no documentário “End of The Century: the story of the Ramones (direção de Michael Gramaglia e Jim Fields, de 2003).

Mesmo com todos os problemas, o grupo manteve uma produção intensa até o fim da carreira. Foram 14 discos de estúdio, quatro álbuns ao vivo e 2.263 apresentações nos 22 anos que duraram os Ramones.

Carreira solo

Contrariando o que os próprios colegas dos Ramones consideravam um caminho natural, Joey nunca arriscou um voo solo enquanto a banda existiu. Mas, várias vezes ele esteve perto disso, principalmente no começo da década de 1980, quando o clima dentro do grupo, que já não era bom, azedou de vez.

Joey Ramone e o guitarrista Johnny eram duas personalidades opostas tendo que se aturar diariamente. O cantor, com ideologias políticas esquerdistas; o guitarrista, um defensor extremo da direita e das políticas dos presidentes estadunidenses Richard Nixon, Ronald Reagan e dos Bush pai e filho. Artisticamente, Joey era a favor de algumas mudanças na direção da banda; enquanto Johnny, que comandava com mãos de ferro o grupo, fazia de tudo para que os Ramones repetissem sempre a mesma sonoridade dos primeiros discos.

A rivalidade entre Joey e Johnny se acentuou em 1979, durante as gravações do álbum “End of The Century”. Desde o início do trabalho o guitarrista não escondeu a antipatia pelo famoso produtor Phil Spector, o qual deu especial atenção a Joey, impressionado pelas qualidades vocais do cantor.

Se estivesse à espera de um bom motivo para abandonar o grupo, Joey o teve em 1981, quando Johnny “roubou” e depois se casou com Linda, a então namorada do cantor. O episódio rompeu definitivamente qualquer laço de amizade que ainda existia entre o cantor e o guitarrista, que se conviveram dentro dos Ramones ainda por longos 15 anos. Depois do fim da banda, os dois nunca mais se falaram.

Se optou por permanecer na banda, contudo Joey não se privou de fazer participações especiais em discos de diversas outras bandas. O mais inusitado foi um projeto de 1994, Sibling Rivalry, que o vocalista montou com o irmão Mickey e resultou no lançamento de um EP com três músicas. Em 1999, também produziu o EP “She Talks to Rainbows”, de Ronnie Spector.

Disco solo

Encerrada a carreira dos Ramones, Joey finalmente se dedicou ao primeiro disco solo. As gravações foram complicadas, uma vez que os dias no estúdio eram intercalados com as constantes internações que cantor era submetido para tratar da saúde, já bastante debilitada pela doença que o matou. Joey morreu antes do lançamento de “Don’t Worry About Me”, o disco solo que chegou ao mercado em 2002.

Com 11 faixas, o álbum manteve a pegada ramoníaca, ou seja, as guitarras distorcidas e a economia de acordes. O que chamou a atenção foram algumas letras, que expressavam um lado mais espiritual de Joey, provavelmente reflexo da percepção de que a vida lhe escapava mais e mais a cada dia. É o caso de músicas como “Stop Thinking About It”, “Venting (Is a Different World Today)” e “Searching for Something”, além do cover “What a Wonderful World”, clássico de Louis Armstrong.

Joey também fez questão de transformar em música a sua luta contra o câncer na faixa “I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)” [Sentado na cama do hospital / Eu quero a minha vida / Isso é um saco / Frustração passando pela minha cabeça / Desligo a televisão, tomo alguns remédios e então posso esquecer / Eu fui nocauteado / Mas vou me levantar].

Logo após o lançamento de “Don’t Worry About Me” começaram a pipocar aqui e ali rumores de que Joey teria deixado gravadas as vozes para canções que poderiam resultar em segundo álbum solo do cantor, o que de fato acabou se confirmando. Porém, dez anos após a morte do cantor, a maioria dessas canções ainda permanece guardada a sete chaves. Entre os fãs e pessoas que eram próximas a Joey, circula a informação de que a demora em lançar esse disco se deve a brigas sobre os direitos das gravações.

Contudo, no início deste ano o irmão de Joey teria anunciado que essas pendengas foram resolvidas e que o disco, ainda sem nome, será lançado em 2011. Ao todo, serão 16 canções e existe ainda a possibilidade do material vir acompanhado de um DVD. O disco está sendo produzido por Ed Stasium, que trabalhou com os Ramones, e conta com diversas participações especiais, entre elas de Richie Ramone, que foi o baterista do grupo entre 1983 e 1987.

Homenagens

Enquanto os fãs aguardam ansiosamente o lançamento do segundo disco do cantor, a fama dos Ramones não para de crescer ao redor do mundo. Praticamente renegados pela indústria musical, pelas rádios e pela MTV enquanto existiram, os Ramones hoje são reconhecidos como uma das mais influentes bandas de rock de todos os tempos. Provas disso são a inclusão em 2002 dos Ramones na Galeria da Fama do Rock and Roll e a homenagem feita à banda no Grammy deste ano.

Joey Ramone, em especial, também não é esquecido. Em 2003, o vocalista virou nome de rua em Nova York. O “Joey Ramone Place” fica na East 2nd Street, próximo ao moquifo onde os Ramones realizaram seus primeiros shows, o hoje lendário CGBG. Além disso, desde 2001 é realizado anualmente o Joey Ramone Bash, evento que reúne artistas e amigos que promovem um show em memória do pioneiro do punk rock.

No Brasil, o cantor também é sempre lembrado. No ano passado, o irmão do cantor e o baterista Richie estiveram se apresentando no Brasil, oportunidade em que inauguraram a loja Joey Ramone Place, no Rio de Janeiro.

Em Curitiba, no próximo dia 19 de maio (data em que Joey completaria 60 anos) acontece a segunda edição do Ramones Day. O evento – que foi realizado pela primeira vez em 2009 para marcar os 15 anos da histórica apresentação da banda diante de 30 mil fãs na capital paranaense – terá exposição e venda de memoriabília dos Ramones e shows de tributo.

Uma das bandas a se apresentar é a curitibana Magaivers. Segundo o vocalista Rodrigo Porco, o grupo novaiorquino sempre será lembrado. “Os Ramones foram uma combinação improvável de quatro pessoas muito diferentes e que tinha tudo para dar errado. No entanto, eles transformaram a música”, define. Nos próximos dias a banda Magaivers estará disponibilizando para download gratuito 15 versões de canções dos Ramones, uma seleção do que o grupo apresenta uma vez por mês na noite curitibana, em show tributo aos Ramones.

E se estivesse vivo?

Quando um artista morre de forma precoce, é comum os fãs se perguntarem: se estivesse vivo, o que ele estaria fazendo hoje?

“Ele sempre foi ligado em bandas novas e tinha um gosto musical diversificado. Eu acho que ele estaria experimentando com outros gêneros, quem sabe fazendo algum projeto de country ou cantando baladas. O cara gostava de vários gêneros musicais”, arrisca o jornalista André Barcinski.

Mas isso são só suposições. De certo mesmo só que o próprio Barcinski afirma: “Os Ramones faziam os shows mais divertidos do mundo. Fazem muita falta”.

Além de Joey, também são falecidos outros dois integrantes da formação original dos Ramones: o baixista Dee Dee, de overdose em 2002; e o guitarrista Johnny, de câncer em 2004.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

ENTREVISTA: Jorge Samek, diretor geral da Itaipu Binacional


“O Brasil continuará tendo uma matriz limpa para produção de energia elétrica”

Por CRISTIANO VITECK

Nomeado há oito anos pelo então presidente Lula para assumir a direção geral brasileira da Itaipu Binacional, Jorge Samek é hoje um dos especialistas do sistema elétrico brasileiro, tanto é que a nova presidenta, Dilma Roussef, decidiu pela permanência dele no cargo. Uma função de grande responsabilidade, afinal, Itaipu é atualmente a maior usina hidrelétrica do mundo em geração de energia. Construída no Rio Paraná, em Foz do Iguaçu (PR) – na fronteira com o Paraguai - e com uma potência instalada de 14 mil MW de potência instalada, Itaipu fornece 16,4% da energia consumida no Brasil e atende a 71,3% da demanda paraguaia.
Nesta entrevista para revista Amigos da Natureza, Jorge Samek fala sobre os principais desafios do setor energético brasileiro, aborda o desenvolvimento e expansão de fontes alternativas e aborda a importância da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, entre outros assuntos. Otimista no que diz respeito à produção de energia no país, ele declara: “O Brasil está numa posição absolutamente privilegiada em relação ao restante do mundo.”

O setor energético brasileiro tem acompanhado a tendência de outros setores produtivos que é de interferir cada vez menos no meio ambiente?
No mundo moderno não há como viver sem ter energia. O Brasil está numa posição absolutamente privilegiada em relação ao restante do mundo, pois mais de 90% da energia produzida vem da água. Boa parte dos países tem sua matriz substanciada em carvão para produzir energia elétrica. Nós temos a matriz energética mais limpa de todos os países com grande importância econômica. Nossa matriz energética é 15 vezes superior a dos 20 países mais ricos do mundo. E novas coisas vêm avançando. A questão da biomassa, por exemplo: a cana. Todo o bagaço da cana está se transformando em energia. Junto a isso ocorre o desenvolvimento de aerogeradores, que utilizam a energia eólica. O Brasil deu um salto! Nos últimos leilões de energia eólica já estão dotando o Brasil com mais de 3 mil megawatts. Isso é a somatória de toda a potência hidrelétrica somada do Rio Iguaçu. Existe ainda uma pesquisa desenfreada para aproveitar a energia solar, que acredito que dentro de algumas décadas vai ser o caminho em que mais vamos trabalhar. Além disso, existe o caso da Bacia do Paraná 3, onde está inserida a Itaipu Binacional: esta região possui grandes criações de suínos e de aves, geradoras de enormes quantidades de dejetos e que podem ser um problema ou uma solução. Nós estamos dando uma solução. Não vai demorar para que todos os produtores rurais estejam produzindo a sua própria energia. Eu sou muito otimista: acredito que o Brasil continuará tendo uma matriz limpa para produção de energia elétrica. E na energia de um modo geral, o país tem o programa mais bem sucedido do mundo que é o Próalcool. Em 2010, pela primeira vez, o Brasil usou mais álcool (55%) do que gasolina (45%). Boa parte dos nossos carros são flex. Estamos trabalhando com biodiesel: todo diesel consumido no Brasil já conta com 5% de óleo vegetal, mistura que diminui demais as emissões de gases poluentes. Essas são ações visando proteger o meio ambiente.

O que impede que o Brasil utilize mais as energias eólica e solar?
Única e exclusivamente a questão do preço. A energia solar, por exemplo, é em torno de dez vezes mais cara que a hidráulica para se produzir. Então temos que fazer essa pergunta: a população pode ter uma energia mais cara nesse momento? Com o passar do tempo, com o desenvolvimento das tecnologias e a ampliação da sua utilização, não tenho dúvida de que chegará o momento em que ela ficará muito mais barata. O Brasil, atualmente, aproveita cerca de 30% de seu potencial hidráulico. Isso significa que daqui a 30, 50 anos o potencial hidráulico vai se esgotar. A partir daí, automaticamente vamos ter que trabalhar pesadamente nas fontes de energias inesgotáveis. A solar é inesgotável. Agora, qual é o problema? Vamos supor que dependêssemos só de energia solar: em dia de chuva ou à noite, como fazer? É preciso ter baterias, acumular a energia produzida no momento que tem sol. Então, ela é uma fonte extraordinária para ser suplementar e complementar. Então, essas coisas se somam. Estou muito otimista com o andamento disso.

Existe uma discussão no país em torno da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Por que dessa polêmica e qual a importância dessa nova usina para o país?
Boa parte da polêmica se deve ao desconhecimento. O que eu tenho visto muitas vezes são coisas completamente distantes do que é o projeto. Eu estive duas vezes no local da usina de Belo Monte. Nós, do sistema elétrico brasileiro, temos discutido muito esse processo. O projeto original de Belo Monte sofreu uma modificação completa para diminuir ao máximo o impacto ambiental. Foram feitos canais no sentido de não inundar uma área enorme e manter o rio com uma distribuição de água mínima obrigatória durante o ano inteiro. Não é verdade que a construção da usina atinge populações indígenas. Enfim, existe um desencontro de informações e por trás disso “n” interesses.

Que interesses seriam esses?
Alguns são legítimos e outros nem tanto, alguns são de concorrentes... Há um grupo de pessoas que não quer que o Brasil construa mais nenhuma unidade hidráulica porque essa energia é muito barata. Ao se ter uma energia mais barata, você compete com outras nações que têm energia mais cara. Isso é um fator de competição enorme. Então, às vezes, por detrás de uma ONG está o dedo sujo do petróleo estimulando para que as pessoas façam manifestações. Tem também pessoas bem intencionadas que acham que o Brasil não precisa de novas usinas e que se fizesse a repotenciação das já existentes poderia ser aumentada a capacidade produtiva em 30%. Isso não é verdade. Há alguns anos, o país optou por não fazer mais grandes reservatórios, isso para atender uma questão ambiental. Mas, com isso, a nossa segurança energética diminuiu muito. Em um processo de estresse hídrico, o que pode ser feito sem grandes reservatórios? Então, o Brasil está implementando uma série de usinas termoelétricas a gás, a carvão, que na maior parte do tempo ficam desligadas. É como se fossem um estepe de um carro, só prevendo um ano que possa ter um estresse hídrico. Isso tudo encarece o sistema energético como um todo.

Que cuidados estão sendo tomados para minimizar os danos da construção da Usina de Belo Monte?
Eu garanto que todos os cuidados estão sendo tomados. Há uma preocupação enorme. E o próximo passo do Brasil, quando chegarem as obras no complexo Tapajós, vão ser as energias chamadas de plataforma. Será construída a usina e não vai ter casa, nem cidade. Terminou a obra, desmonta-se tudo, se faz o reflorestamento e o operador da usina vai trabalhar remotamente longe da usina. Só quem vai fazer a manutenção é que vai permanecer na usina: vem de helicóptero, trabalha uma semana na usina e fica duas semanas em casa. É como acontece com uma plataforma de petróleo. Isso tudo para não interferir em nada nas áreas que devem ser preservadas na Amazônia. Eu sou adepto de que é possível compatibilizar o desenvolvimento econômico e a geração de emprego e renda com a preservação do meio ambiente.

O século XX foi movido, principalmente, por combustíveis de origem fóssil. Essa tendência permanece para o século XXI?
Para os próximos 30 anos a principal fonte de energia do mundo ainda será o petróleo. Eu acho que vai acontecer com o petróleo o que aconteceu com a pedra. Saímos da idade da pedra sem acabar com a pedra. Eu acho que vamos sair da idade do petróleo sem acabar com ele. Agora, não podemos desconsiderar que ele é um combustível que movimentou a economia, fez as riquezas dos países e o Brasil, de forma muito tardia, descobriu as suas jazidas através do pré-sal. O Brasil é um país de quase 200 milhões de habitantes. Para cerca de 30 milhões de pessoas já temos um padrão de vida próximo do europeu. Elas têm acesso à escola, tem casa, ar-condicionado, automóveis... Mas isso não é a realidade de todo o Brasil. E essa quantidade enorme de brasileiros que nós temos que dotar com infraestrutura? Vamos ter que produzir muita energia. O consumo per capita de energia do brasileiro é nove vezes menor que nos Estados Unidos. A medida que mais brasileiros melhorarem sua qualidade de vida, eles vão começar a consumir tudo isso e portanto terá que haver mais energia. Então, temos que olhar o conjunto. Em 2010, o Brasil cresceu 7,5% e a demanda por energia cresceu quase 9%. Se nos próximos anos o Brasil continuar crescendo mais cinco ou 6%, vai ter que construir uma nova Itaipu a cada dois anos. E se nós não fizermos isso, o crescimento vai paralisar. Então, temos que ter um olhar para a preservação do meio ambiente; outro olhar para dotar o país com a energia necessária; um olhar para tirar da pobreza essa quantidade enorme da população que está ascendendo; e ao mesmo tempo um olhar para o desenvolvimento de matrizes energéticas que causem o menor impacto ambiental.

A energia nuclear faz parte deste novo contexto brasileiro?
A energia nuclear é a que menos causa impacto ambiental e, ao mesmo tempo, é a mais polêmica, porque se durante a operação ocorrer um vazamento a gente já conhece o resultado. Os dejetos permanecem radioativos por 200, 300 anos e ainda não se achou uma forma totalmente segura para que esse resíduo de urânio vaze. Essa é grande discussão em cima dessa energia, que é 100% limpa. Depois dessa, a mais limpa que temos é a hidroeletricidade. A Europa já usou 100% de seu potencial, Estados Unidos, 100%, Canadá 80% e o Brasil somente 30%. Querer fazer uma força para que o Brasil não use seu potencial hidráulico é jogar contra o país. O mesmo em relação ao petróleo, que por muitos anos vai ser ainda o principal combustível. Se usarmos o dinheiro decorrente do pré-sal em educação, ciência e tecnologia e em meio ambiente, sem sombra de dúvida em 50 anos o Brasil vai se transformar em uma das maiores potências mundiais. Um Brasil poderoso com uma população vivendo bem. Esse é o sonho de todo brasileiro.

A Itaipu Binacional é parceira no desenvolvimento de um projeto de veículo elétrico. Existe uma previsão de quando esses veículos poderão ser produzidos em escala industrial?
Nos três últimos anos, a coqueluche de todas as grandes feiras de veículos do planeta foram os carros elétricos. Eles são muito mais eficientes que os carros movidos a combustível fóssil, que ao fazerem a combustão têm enormes perdas de energia. O carro elétrico não: é como injeção na veia. A eletricidade vai direto na roda, o que o torna muito mais eficiente e econômico. Um carro comum gasta cerca de um barril de petróleo para ir de Foz do Iguaçu a Brasília, por exemplo. Se esse mesmo barril de petróleo for usado para carregar a bateria de um veículo elétrico, esse carro sai de Foz do Iguaçu e vai até Manaus. É mais do que o dobro a eficiência do carro elétrico. Então, por que ainda não são fabricados carros elétricos? É preciso lembrar que o petróleo começou a ficar caro nos últimos 30 anos. Em 1974, o barril de petróleo custava 2 dólares! Hoje está em 130, 140 dólares. O petróleo era uma energia abundante e baratíssima. Então foi desenvolvida toda a tecnologia em cima de carros à combustão de gasolina, óleo diesel. Essa modificação para o carro elétrico é uma revolução. Imagine construir um carro que não tem mais motor, que não tem mais caixa, sem cano de escape e sem mais um monte daqueles componentes do carro tradicional. Todas as indústrias que, durante anos, fabricaram esses componentes vão ficar obsoletas. Tenho certeza de que se não forem os nossos filhos, serão os nossos netos que terão carro elétrico. É o carro do futuro.

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Entrevista está publicada na edição nº 8 (abril/2011) da revista Amigos da Natureza.