terça-feira, 29 de novembro de 2011

As barbas do imperador


Semanas atrás, comentei aqui no Blog do Viteck a respeito do acervo da Biblioteca Cidadã Alice Weirich, no bairro São Lucas, aqui em Marechal Cândido Rondon. Inaugurado este ano, o espaço possui ainda um acervo modesto, mas com títulos muito interessantes nas mais diversas áreas.

E um dos “tesouros” da biblioteca é o livro “As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos”, da antropóloga Lilia Moritz Schwarcz. Já havia lido recentemente outro livro dela, chamado “O Sol do Brasil”, no qual ela escreveu – em um texto intenso e denso – sobre a Missão Francesa, grupo de pintores que desembarcou no Brasil no início do século XIX e que retratou a vida na corte e a natureza exótica do nosso país sob a perspectiva do olhar europeu.

Em “As Barbas do Imperador”, publicado em 2008 (Editora Companhia das Letras, 624 páginas), Schwarcz escreve uma biografia do segundo e último rei do Brasil. Tema por demais esmiuçado já em tantos livros escritos sobre D. Pedro II em mais de um século, o interesse da autora nessa biografia é contar a vida do imperador, principalmente, através do imaginário monárquico da época, “percebido justamente por meio da análise de rituais, costumes e tradição”, relata Schwarcz.

E é a própria autora que instiga o interesse do leitor a respeito da vida de D. Pedro II que “de órfão da nação se transforma em rei majéstico; de imperador tropical e mecenas do movimento romântico vira rei cidadão, para finalmente imortalizar-se no mártir exilado e em um mito depois da morte, com vistas não a recuperar tanto a sua história, mas antes sua memória, ou melhor, a seleção de determinadas memórias nacionais”.

D. Pedro II reinou no Brasil de 1840 a 1859. Órfão de mãe, o pequeno Pedro – com apenas cinco anos - foi deixado no Brasil pelo pai D. Pedro I, que voltou a Portugal nove anos depois de ter proclamado a independência do Brasil. Aos 15 anos, naquele que ficou conhecido como golpe da maioridade, D. Pedro II assumiu o trono em um período turbulento, em que esforços contínuos eram necessários para evitar a desfragmentação territorial diante de conflitos como a Revolução Farroupilha.

O Brasil, na época, era uma monarquia rodeada por repúblicas latinas, recém emancipadas da Espanha. Aliás, o Brasil foi o único país das Américas que se transformou em monarquia após a independência. Então a monarquia já sendo associada a uma instituição ultrapassada, ao longo de sua vida D. Pedro II se esforçou para vender ao mundo a imagem de um Brasil moderno, ao mesmo tempo que enaltecia aspectos de um império exótico. Exemplo disso foi o enaltecimento da figura do índio como símbolo do Brasil, assim como o café é o fumo, produtos de exportação do país.

O imperador também incentivou a pesquisa histórica, a educação e as artes, com a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a Academia Imperial de Belas-Artes e o Colégio Pedro II. D. Pedro II sempre se esforçou por associar a sua imagem a de um homem culto e estudioso, o que o levou a arroubos de imodéstia, como quando afirmou que a “ciência sou eu”. Mas, em um reino formado em sua grande maioria por analfabetos, a erudição de D. Pedro II era algo bastante singular, ainda mais se comparado ao pai, que entrou para a história como alguém mais interessado nas batalhas e nas mulheres do que nos livros.

Em “As Barbas do Imperador”, Schwarcz descreve ainda como era ser nobre no Brasil, as festas populares, relata a quase obsessão de D. Pedro II em derrubar do poder Solano Lopez durante a truculenta Guerra do Paraguai (1864-1870). A autora também destaca as três viagens que o imperador realizou ao redor do mundo, onde conheceu os Estados Unidos, a Europa e o Egito, entre outras regiões do globo.

E, como não poderia deixar de lado, a autoria vai a fundo na questão da escravidão, que era praticamente o modo de trabalho responsável pela produção das riquezas do Brasil, mas ao mesmo tempo era motivo de repulsa ao país em nações mais avançadas, que combatiam a escravidão. Curioso notar que, embora se colocasse como um homem moderno, D. Pedro II pouco fez de fato para acabar com o regime escravagista. Quem o fez foi a sua filha, princesa Isabel, que em 1888 assinou a Lei Áurea.

A alforria concedida sem qualquer direito de indenização aos donos de escravos foi o catalisador do golpe que derrubou a monarquia e implantou a república no país, em 1889. É bem verdade que os debates entre republicanos e monarquias já se estendia há décadas. Mas, com o avançar da idade de D. Pedro II, havia uma espécie de acordo ou sentimento de que a república seria implantada tão logo ocorresse a morte do monarca. Mas isso mudou, com a Lei Áurea.

Proclamada a república em 15 de novembro de 1889, dois dias depois o Imperador e sua família eram banidos do Brasil. Dois anos mais tarde, o imperador morreria em Paris, onde viveu uma vida modesta sustentado por doações de amigos e tendo como únicos bens uma edição original de um livro de Camões e um travesseiro cheio de terra do Brasil. Situação que ao longo dos anos só aumentou o mito do imperador, que logo após ser deposto recusou uma indenização proposta pelo novo governo republicano, no valor de 5 mil contos de réis, o equivalente hoje a cerca de R$ 2 bilhões.

Aliás, é na guerra entre monarquistas e republicanos que o livro de Schwarcz mostra-se mais intenso. Na guerra pública através das revistas da época, republicanos caricaturavam D. Pedro II como um senhor velho, com a sua longa barba branca, que só lhe aumentava a aparência de velho. Daí a associar a figura do imperador com o modelo antiquado da monarquia foi um simples passo dado pelos republicanos.

Interessantíssima é a reabilitação histórica do imperador no início do século XX, que tem como melhor exemplo Rui Barbosa, autor da lei que bania o imperador do Brasil e que, anos depois era um ferrenho defensor de que os restos, mortais de D. Pedro II, hoje enterrados em Petrópolis (RJ), fossem repatriados, diante da importância que o imperador teve para a história do país.

Ler “As Barbas do Imperador” é percorrer um período em que não só o Brasil, mas o mundo ocidental como um todo estava passando por um rápido processo de transformação. E é interessante perceber como a personalidade máxima do país se comportava em meio a essas mudanças. De certo, um homem de mil faces que jamais foi unanimidade, seja durante o reinado ou após a morte. E é esse homem, “despido” de sua coroa e dos demais símbolos da monarquia que Schwarcz nos revela nesse livro tão instigante.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Monumento às avessas


Há poucos dias vi no balneário de Santa Helena algo que chama a atenção não tanto pela beleza (que é pouca), mas pela estranheza (que é muita). Trata-se do “Monumento à Árvore”, um conjunto de oito troncos enormes de espécies de árvores que havia em abundância na região até poucas décadas atrás, como o ipê-roxo.

Acredito que a intenção de quem teve a ideia até fosse boa. Mas, homenagear a natureza colocando árvores mortas parece algo muito contraditório. Diria até infeliz...

Árvore é símbolo e representação da vida. Então, não seria muito mais lógico, naquele espaço, plantar mudas dessas mesmas espécies de árvores para que lá elas crescessem, verdes e vistosas, para que pudessem ser apreciadas pela nossa e próximas gerações?

Assim, da forma como está, o “Monumento à Árvore” me parece muito mais uma lembrança triste do quando ainda somos irracionais no que diz respeito ao cuidado com natureza. Um legítimo monumento à estupidez de todos nós...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Caminho do Colono: nova luta pela reabertura




Reabertura do caminho no Parque Nacional do Iguaçu foi discuta em audiência pública na sexta-feira (11), em Serranópolis do Iguaçu

Celi Locks é moradora de Serranaópolis do Iguaçu. Desde agosto deste ano, ela reside em uma casa que fica ao lado do Parque Nacional do Iguaçu, no exato local onde iniciava o Caminho do Colono, um trajeto de 17 quilômetros em meio à mata e que terminava na margem do Rio Iguaçu onde, por balsa, era possível atravessá-lo e chegar a Capanema, na região Sudoeste do Estado.

Na casa onde Celi mora, o irmão dela mantinha uma lanchonete, ponto de parada para muitos que cruzavam o Caminho do Colono. O estabelecimento fechou, já que não havia mais sentido mantê-lo em um local onde ninguém mais passa, desde que há 10 anos a estrada foi fechada em uma ação enérgica da Polícia Federal, Exército e agentes de institutos governamentais ligados ao meio ambiente.

Mesmo uma década depois e com o mato já tendo tomado conta do antigo caminho, Celi vive situações inusitadas. Segundo ela, dia sim dia não alguns desavisados batem na porta da casa dela, pedindo informações sobre onde fica o Caminho do Colono, pois querem seguir viagem rumo so Sudoeste do Estado e para o Sul do país. Quando Celi explica que a estrada foi fechada, a única alternativa dos motoristas é dar a volta e contornar o parque por uma trajeto de cerca de 200 km, que poderia ser alcançado em apenas 17 km, se o Caminho do Colono ainda existisse.

Para os motoristas desavisados, para Celi e para muitos dos moradores de Serranópolis do Iguaçu e região, o sonho é que um dia o Caminho do Colono volte a unir as duas regiões do Estado, que hoje estão praticamente divididas pelo Parque Nacional do Iguaçu. Agora, esse sonho ficou um pouco mais perto de se tornar realidade.

Isso porque aconteceu na manhã de sexta-feira (11), na Casa da Cultura de Serranópolis do Iguaçu, a oitava audiência pública (a primeira fora de Brasília) da comissão especial da Câmara Federal para debater o projeto de lei nº 7.123/2010, de autoria do deputado federal Assis do Couto. Visando a reabertura do trajeto, ele propõe a criação da estrada-parque Caminho do Colono.

Na audiência, que esteve tomada por moradores e lideranças regionais, estiveram presentes o parlamentar autor do projeto; o presidente da comissão especial, deputado federal Eduardo Sciarra; o vice-presidente, deputado federal Dilceu Sperafico; e o relator, deputado federal Nelson Padovani. Os deputados estaduais Ademir Bier, Elton Welter e Professor Lemos também participaram, assim como o presidente da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop), prefeito de Corbélia, Eliezer Fontana; o presidente do Conselho dos Municípios Lindeiros, prefeito de Entre Rios do Oeste, Elcio Zimmermann; os prefeitos de Serranópolis do Iguaçu, José Sehn; de Capanema, Milton Kafer; de Missal, Adilto Ferrari; e de São Miguel do Iguaçu, Armando Polita, entre outras autoridades.

Projeto

Segundo o deputado federal Assis do Couto, a proposta por ele apresentada impõe uma série de restrições quanto ao uso da estrada-parque. Entre elas, a proibição de circulação de veículos pesados e o tráfego de veículos no período da noite. Essas e outras medidas seriam para reduzir ao máximo os danos ambientais.

Ele justificou o projeto explicando que com a proposta pretende-se, pelo menos, tentar no Congresso Federal aprovar uma lei que ponha fim aos conflitos e criar uma perspectiva positiva de desenvolvimento para as regiões Sudoeste e Oeste do Estado. “Não se trata de abrir uma nova estrada, mas utilizar o mesmo traçado, que não será asfaltado. Queremos no máximo pedra irregular. O projeto propõe diretrizes para uma estrada diferente. Nós pensamos uma estrada com todos os cuidados ambientais possíveis. Temos alternativas capazes de atender as demandas ambientais”, afirmou o parlamentar, que frisou que “nós queremos uma oportunidade para que os turistas possam visitar o parque e para que nossos filhos possam conhecer a mata nativa”.

Trabalhos

Na abertura da audiência pública, o presidente da comissão especial, deputado federal Eduardo Sciarra, explicou que o projeto tem sido trabalhado de forma democrática. Ao mesmo tempo, garantiu que o debate não é um confronto com a Justiça. “Pelo contrário. Nós estamos discutindo essa matéria pela Casa de Leis máxima do Brasil. Esse é um assunto que ao longo dos anos foi discutido com muita paixão e emoção. Além de manter a paixão, nós precisamos trazer a razão para a discussão. E isso nós vamos buscar através do entendimento. Nós queremos abrir um espaço de diálogo. A criação da estrada-parque só acontecerá se nós buscarmos um entendimento de forma democrática”.

A respeito das audiências já realizadas em Brasília, Sciarra informou que nesses encontros a comissão já ouviu representantes da biodiversidade, pesquisadores, acadêmicos, juristas e demais especialistas. De acordo com o deputado, até o momento a questão tem evoluído bem. “Haverá mais algumas audiências públicas até que tenhamos maturidade para discutir o relatório que será apresentado pelo deputado federal Nelson Padovani. Nós imaginamos que até o final de fevereiro a gente tenha condições de apresentar e votar, no máximo, em março esse relatório na comissão especial”, prevê.

Sciarra chama a atenção para um detalhe sobre os trâmites, uma vez que o projeto tem caráter conclusivo. “Isso significa que, aprovado na comissão especial, ele vai automaticamente ao Senado. Não precisa passar nas outras comissões. Existem mecanismos regimentais que podem fazer com que ele vá para o plenário da Câmara, mas se não houver nenhum recurso ele vai diretamente ao Senado, onde pode demorar muito tempo para ser votado se não produzirmos um entendimento. Penso que a discussão do Código Florestal permitiu um avanço nesse entendimento do desenvolvimento sustentável. É fundamental que se abra a discussão para colocar todos os aspectos.

Acreditamos que seja possível transformar o projeto em lei através do diálogo”, afirma o presidente da comissão especial.

Cautela

O deputado federal Dilceu Sperafico, vice-presidente da comissão especial, demonstra bastante cautela, principalmente diante do entusiasmo de muitos moradores da região com a nova perspectiva de ser reaberto o Caminho do Colono. “Não posso afirmar que a estrada será aberta. O que posso dizer é que é um avanço muito grande conseguir criar uma comissão especial dentro do Congresso Nacional para fazer um estudo sobre a viabilidade da abertura da Estrada do Colono. Eu posso dizer à população que sou favorável à abertura e vou trabalhar nesse intuito. Acho que tem que haver muita consistência no estudo que vai ser apresentado. Ouvir todos os lados, para que evidentemente não seja feito um engodo para enganar a população”, ressaltou.

De acordo com ele, a luta pela criação da estrada-parque deverá ser uma batalha longa, mas ele se diz otimista e compara: “há 12 anos começamos a trabalhar pela liberação dos transgênicos. Nós tivemos muitos obstáculos, mas insistimos com seriedade e responsabilidade, e hoje ninguém mais fala em transgênico. Ele é uma realidade. Assim, nós queremos trabalhar essa questão da Estrada do Colono”.

Relatório

Por sua vez, o deputado federal Nelson Padovani, relator da matéria, garante que o seu trabalho será pautado pela imparcialidade, embora menifeste que seu desejo é que o projeto de criação da estrada-parque seja aprovado. “Eu tenho o mesmo sentimento do povo daqui. Só que o sentimento não vai para o relatório. O relatório tem que ter sustentação. Nós temos que ver o porquê abrir essa estrada, ver o que ela vai trazer de benefício. Estamos com todas as informações e estamos preparados para fazer o melhor relatório para que possamos deixar os dois lados (ambientalistas e defensores da abertura) contemplados”.





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Casa Gasa pode fechar por falta de recursos


Instituto responsável pelo local não está conseguindo honrar compromissos com proprietária do imóvel

Um dos pontos turísticos mais conhecidos e procurados de Marechal Cândido Rondon pode fechar as portas. Trata-se da Casa Gasa, localizada no centro da cidade e que é ponto de visitação devido à sua arquitetura única e também pela curiosidade inspirada pela vida de quem a construiu, o alemão Heribert Hans Joachin Gasa – que faleceu em 2003.

Mantida pelo Instituto Cultural Casa Gasa, a entidade não tem conseguido cumprir as cláusulas contratuais firmadas com a proprietária do imóvel, a viúva Dorothea Kocko Gasa, que atualmente reside em Prudentópolis (PR). Esta semana ela esteve em Marechal Cândido Rondon e manteve conversa com o presidente do instituto, professor e historiador Valdir Gregory. Na oportunidade, ela ponderou que, caso não seja possível viabilizar o que está previsto em contrato, ela pretende dispor do local para outra atividade.

Dois fatos têm causado descontentamento à proprietária. O primeiro é o valor que recebe de aluguel, considerado baixo para a realidade local. O segundo é a deterioração do imóvel por falta de manutenção adequada. Como membra que também é do Instituto Cultural Casa Gasa, Dorothea, com demais integrantes da entidade, tem trabalhado em conjunto em busca de uma solução para o imbróglio. Contudo, ela e o presidente são enfáticos em afirmar que, no momento, a solução obrigatoriamente passa por um apoio financeiro maior por parte do poder público municipal.

Histórico

O Instituto Cultural Casa Gasa foi formalizado em 2006 com o objetivo de gerir o conjunto patrimonial do imóvel, incluindo os móveis, equipamentos e acervos deixados por Heribert Gasa. Além disso, o instituto tem como meta desenvolver atividades culturais e incentivar o turismo.

A ideia inicial era que a Casa Gasa fosse mantida com aos recursos provenientes da arrecadação dos ingressos para visita ao local (R$ 2,50 para estudantes e idosos e R$ 5 para os demais) e do aluguel do espaço para realização de eventos culturais e de entretenimento. Só que essa arrecadação tem sido pequena: em média R$ 500 por mês.
Diante da dificuldade, o Instituto Cultural Casa Gasa formalizou um convênio com a prefeitura em 2010, na qual esta se comprometeu a auxiliar com um repasse financeiro, que este ano é de R$ 20 mil (dez prestações de R$ 2 mil).

Com este montante, o Instituto paga o aluguel do imóvel (R$ 1 mil), as contas de água e luz, o salário do estagiário que atua no local e os pequenos serviços de manutenção que frequentemente são necessários.

Contudo, Gregory destaca que estes recursos não são suficientes para que seja feita toda a manutenção necessária. E o resultado disso está diante dos olhos de quem visita a Casa Gasa. Na área externa, os vândalos já destruíram paredes, janelas, além de sujarem o local. Não é difícil, por exemplo, achar garrafas de bebida vazias e camisinhas usadas. Até facas já foram encontradas.

Dentro da Casa Gasa são as ações do tempo e da natureza que causam os maiores danos. Um exemplo disso são os cupins, que estão destruindo os tacos de uma das salas do subsolo. Para agravar ainda mais a situação desse cômodo do imóvel, um vazamento na rede de água do município comprometeu as paredes do subsolo.

Outros pontos que merecem atenção urgente são a rede elétrica e os encanamentos do imóvel, assim como partes do telhado, que precisam de reforma.

Conforme Gregory e Dorothea, esses são exemplos da situação crítica em que se encontra atualmente a Casa Gasa. Há que se considerar, também, que o valor que é pago de aluguel está cerca de 30% abaixo do previsto no contrato, que era de até R$ 1,5 mil.

“Do jeito que está, compensa fechar a Casa Gasa e transformar o local em outro negócio, em comércio. Antes de abrir a Casa Gasa, muitos fizeram propostas. Mas, como tinha tanto material deixado por Gasa e havia o interesse da sociedade, a gente partiu pra esse lado, achando que seria mais fácil. Mas, é muito complicado porque o imóvel é particular e o Instituto é público”, explica Dorothea
.
Aliás, o fato da Casa Gasa ser um imóvel particular é um fator que tem dificultado as negociações visando o repasse de dinheiro público para mantê-lo. “A gente sabe dessa dificuldade”, diz Gregory.

Apoio

Procurado pela reportagem, o secretário municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Arlen Güttges, garantiu que a prefeitura tem feito e fará tudo aquilo que está dentro de suas possibilidades para ajudar o Instituto Cultural Casa Gasa.

Mas, ele pondera que “temos que lembrar que as ações do Turismo não ficam restritas só a Casa Gasa. Porque aí outros vão querer ajuda também. Todos os pontos turísticos vão pedir recursos para nós”. Conforme o secretário, de todas as empresas e entidades que integram o Núcleo de Turismo rondonense, é a Casa Gasa quem recebe mais recursos.

Güttges ressalta a importância para o setor turístico e cultural que o espaço tem para Marechal Cândido Rondon, mas lamenta que, da forma como ele existe hoje, não consiga se manter com arrecadação própria. “É um ponto turístico importante. Só que tem que ser uma via de mão dupla. Ela também tem que se manter, porque só a prefeitura colocar dinheiro, isso é complicado. É diferente do Museu de Porto Mendes, por exemplo, que temos a obrigação de manter porque é um patrimônio público”, destaca.

Questionado se a prefeitura teria disposição de adquirir o imóvel se a proprietária o colocasse à venda, o que não é o caso, o secretário diz que interesse haveria. Só não teria dinheiro, até porque a prefeitura está na eminência de implantar o hospital municipal. “Adquirir a casa não seria prioridade”, garante.

Alternativas

Segundo Valdir Gregory, a entidade tem arriscado alternativas para viabilizar o Instituto, de forma que ele não fique tão dependente do dinheiro público. Inclusive, uma negociação estava para ser fechada para que no local fosse instalado um empreendimentos ligado ao setor de gastronomia. Porém, por problemas particulares de um dos interessados, a negociação foi paralisada. Com o aluguel que o Instituto cobraria pelo uso de parte da Casa Gasa, seria possível mantê-la funcionando e ainda realizar as melhorias necessárias.

Outra alternativa, mais difícil, seria buscar recursos junto aos órgãos estaduais e federais. Porém, isso demanda dedicação quase integral para criar os projetos e para acompanhar os trâmites. Como todos os membros do Instituto Cultural Casa Gasa realizam trabalho voluntário em favor da entidade e atuam em outras atividades profissionais, é pouco o tempo disponível para assumir essa função também.

Até o final do ano, representantes do Instituto Cultural Casa Gasa e a proprietária terão que se reunir com os governantes municipais para negociar a renovação do convênio com a prefeitura. Caso não entrem em acordo, o futuro da Casa Gasa enquanto ponto turístico fica ameaçado.

“Eu era muito cobrada desde que o Gasa faleceu e quis dar essa contribuição, tendo pelo menos o imóvel conservado. Mas, se não tiver perspectiva de arrumar e de garantir a manutenção, não é viável manter a Casa Gasa”, enfatiza Dorothea.

A casa e o criador

Heribert Hans Joachin Gasa nasceu em 14 de março de 1920, na cidade alemã de Breslau, e faleceu em Marechal Cândido Rondon em 10 de março de 2003. Sua vida foi marcada por muitas histórias. Gasa viveu os horrores da Segunda Guerra Mundial, depois de ser convocado pelo exército alemão. Em 1961 veio para o Brasil, fixando moradia em Marechal Cândido Rondon, onde trabalhou como ótimo, fotógrafo e cientista.

Em 1965 comprou o terreno onde construiu a sua ousada residência. A atual Casa Gasa foi planejada e decorada pelo seu proprietários, que promoveu um amplo sincretismo arquitetônico. O diferencial deste espaço são seus traços arquitetônicos, a decoração, além de passagens secretas e portas e armários falsos.

A Casa Gasa demorou 20 anos para ser concluída. Ela conta com 38 cômodos, inclusive um subsolo em dois níveis.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Sul é o Meu País: carta do presidente


Recebi ontem e-mail enviado por Celso Deucher (foto), presidente do Movimento O Sul é o Meu País e Secretário Geral Gesul - Grupo de Estudos Sul Livre, a respeito de texto publicado no blog em 13 de setembro (http://blogdoviteck.blogspot.com/2011/09/o-sul-e-meu-pais.html), sobre o movimento separatista. Segue a carta para conhecimento de todos:

Acabo de receber através do amigo Alvaro Caregnato Salvaro, nosso grande amigo ai em Marechal Cândido Rondon, a matéria/artigo que o amigo escreveu sobre o Movimento O Sul é o Meu País. Bravo caro Cristiano. Ótima abordagem do assunto. Felicito o colega historiador pelas citação de José Bonifácio. Já o Padre Vieira também dizia que este país "no tamanho que está é ingovernável".

Discordamos fraternalmente apenas da afirmação de que "na conversa" não se vai longe. Por ser um Movimento pacífico, acreditamos com todas as nossas forças que é possivel sim, buscarmos nossa independencia sem guerra civil. Afinal, temos que acreditar que a humanidade já está cansada de tanta guerra. Que leve alguns anos a mais, mas certamente compensará, pois ao final, temos certeza, o bom senso vai prevalecer e seremos os melhores amigos e parceiros comerciais dos demais povos brasílicos.

Abaixo lhe envio uma matéria das últimas que largamos para a imprensa sobre a ação que realizamos nas capitais Sulistas no mês que findou.

Receba meu fraternal abraço e meu respeito como jornalista e historiador.


Celso Deucher
Presidente Movimento O Sul é o Meu País
Secretário Geral Gesul - Grupo de Estudos Sul Livre

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Separação da Região Sul venceria, segundo pesquisa do Gesul

Saber qual a opinião dos cidadãos da região Sul em relação a proposta de criação de um novo país composto apenas por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Este foi o objetivo principal das pesquisas de opinião realizadas pelo Gesul (Grupo de Estudos Sul Livre) nas três capitais Sulistas, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.

No último fim de semana, 15 e 16 de outubro o Gesul concluiu a coleta de dados e na manhã desta segunda-feira, dia 17, divulgou os resultados finais das pesquisas que ao todo colheram uma amostra composta de 1991 eleitores das três capitais. Os números causaram surpresa até mesmo para a direção nacional do Movimento O Sul é o Meu País, única instituição na região Sul que defende a proposta de independência deste território.

Porto Alegre é a mais separatista

Desde os tempos do império, Porto Alegre tem sido uma das mais resistentes as propostas de uma possível independência do Sul. Não é atoa que ganhou do imperador o título de “mui leal e valorosa”. No entanto, segundo os dados do Gesul, isso já está se tornando coisa do passado, pois os números comprovaram que entre as três capitais, Porto Alegre é a mais separatista e a que possui o menor percentual de indecisos.

“Os números indicam que a capital gaúcha vem mudando seu perfil em relação a esta proposta ao longo do tempo, pois outras consultas da década de 1990, realizadas principalmente pelo Instituto Bonilha e pelo IBOPE indicavam que poderíamos perder num possível plebiscito naquela cidade”, avalia o presidente do Movimento O Sul é o Meu País, jornalista e professor Celso Deucher. Ele foi um dos que recebeu os resultados com surpresa, pois acreditava numa alta concentração de indecisos e numa disputa acirradissima entre os prós e contra a proposta.

Segundo os dados divulgados pelo Gesul, dos 664 portoalegrenses entrevistados, 48,20% posicionaram-se favoráveis a separação do Sul, sendo que 35,40% colocaram-se contra a proposta e apenas 16,40% ainda estão indecisos. “Ficamos todos surpresos e ao mesmo tempo felizes, pois trata-se de um resultado robusto, nos dando fortes indicativos de que com um bom trabalho naquela capital logo ultrapassaremos os 50% de aprovação. Certamente este é nosso objetivo para 2012, quando novamente pretendemos consultar os eleitores daquela capital”, diz Deucher.

Resultado apertado, mas positivo em Florianópolis

O Gesul já havia divulgado no último dia 8 de outubro os resultados da pesquisa realizada em Florianópolis onde foram entrevistados 663 eleitores e destes, 41,20% se posicionaram a favor da separação, enquanto 40,50% foram contra a proposta e 18,30% confessaram-se indecisos. “É uma vitória apertada, mas que foi muito comemorada por nós do Movimento já que as capitais sempre foram bastante difíceis de se trabalhar a questão separatista”, diz o presidente do Movimento O Sul é o Meu País.

O caso de Florianópolis segundo Celso Deucher possui indicativos importantes para uma análise mais global do fenômeno separatista na região Sul. “O nosso Manézinho da Ilha, assim como quase todos os habitantes da região litorânea Sulista, habitada majoritariamente pela etnia açoriana, historicamente mostrava certa resistência a proposta de secessão, devido a sua forte ligação a etnia portuguesa. A mídia dominante sempre tentou descaracterizar este povo chamando-os genéricamente de portugueses e portanto os mais legítimos brasileiros. Os números comprovam que isso é besteira e que independente da questão de pertença étnica, o florianópolitano decidiu-se pela sua consciência de cidadão Sulista”, avalia Deucher.

Para ele, os números da capital catarinense foram razoáveis, mas precisam melhorar muito para se chegar ao que ele reputa como sendo ideal. Para mudar este quadro, a entidade que dirige desde o ano passado, tem como meta, realizar até setembro do ano que vem um forte trabalho de divulgação da proposta em todo o município. “Na nossa próxima pesquisa tenho certeza que os números serão outros, pois já encarregamos a comissão municipal do Movimento em Florianópolis de turbinar as ações de divulgação”, diz.

Curitiba tem o maior número de indecisos


A capital paranaense também causou surpresa aos dirigentes do Movimento O Sul é o Meu País, mas desta vez pelos números negativos. É a primeira vez nas pesquisas que a proposta de separar a região Sul recebe um “não” de Curitiba. Além disso, os curitibanos são o povo mais indeciso das capitais do Sul.

Ao todo foram pesquisados 652 eleitores e os resultados foram os seguintes: 35,4% votaram a favor da proposta de separação do Sul, sendo que 36,8% declaram ser a contra da separação e 27,8% declaram-se indecisos. “Nossa proposta perdeu por apenas 1,4%, o que consideramos um percentual realmente muito pequeno, visto que a margem de erro da pesquisa é de 5%. No entanto, estes números alertaram aos nossos compatriotas daquela capital mostrando a necessidade de se fazer um grande e duradouro trabalho de esclarecimento da população em relação à questão, pois este número de indecisos indica que as pessoas ainda não conhecem nossa proposta”, diz Celso Deucher.