segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Hype!


Em 2011, completa-se 20 anos que toda uma cultura underground do rock norte-americano, capitaneada pelo Nirvana, tomou de assalto as paradas de sucesso ao redor do mundo, causando também uma pequena revolução na moda e no comportamento de parte significativa daquela geração de adolescentes. Conhecido como grunge, o movimento surgido na cidade de Seattle é considerado, desde então, a última grande revolução do rock – Cine, Restart e similares não contam, please...

E o retrato definitivo dessa era é “Hype!”, o documentário de 1996 dirigido por Doug Pray. Rodado ainda na ressaca que se abateu sobre o grunge com a morte de Kurt Cobain, o filme resgata a trajetória do rock em Seattle desde os anos 80 e que acabou por tornar possível o estouro do Nirvana, uma banda de uma cidadezinha próxima a Seattle que ninguém, além do produtor Jack Endino e o pessoal da gravadora Sub Pop, apostaria um único níquel furado no seu sucesso.

Com registros de shows e entrevistas de bandas “menores” da cena grunge, como Supersuckers, 7 Year Bitch e Young Fresh Fellows, ao lado de pesos-pesados como Pearl Jam, Soundgarden e Mudhoney, “Hype!” dá uma visão geral de tudo o que aconteceu no período de 1991 a 1994, quando Seattle pareceu ter se tornado a capital mundial da música e da moda. Na ressaca do sucesso (e do fracasso para aquele que não atingiram a fama), uma fila imensa de músicos dá a sua versão sobre toda aquela histeria detonada pelo disco “Nevermind”. Assim, o diretor Doug Pray conseguiu juntar os pedaços e contar o início, o auge e o fim do grunge.

De lambuja, nas entrelinhas dos 83 minutos de “Hype!” ainda dá para aprender algumas lições de como funciona a gigante indústria fonográfica, sempre a caça de novas bandas, cenas e tendências para extrair delas até o último centavo que possam render e, depois, virar as costas e fazer tudo de novo em outro lugar.

O documentário está fora de catálogo, mas vale correr atrás do download (http://arapongasrockmotor.blogspot.com/2008/07/hype-1996.html) ou procurar em algum sebo pelo VHS ou DVD.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Entrevista exclusiva: Greenpeace


Começou a circular esta semana a quarta edição da Revista Amigos da Natureza (www.editoraamigosdanatureza.com.br), que traz como matéria de capa uma reportagem sobre orquídeas. Outros assuntos de destaque são obesidade infantil, criação e comércio de animais silvestres, entre outros assuntos.

Muito interessante também a entrevista com Pedro Torres (foto), coordenador nacional de voluntários do Greenpeace. Ela segue na íntegra abaixo:

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Greenpeace: em busca de um mundo mais justo, pacífico e verde

Por CRISTIANO VITECK

Amado e odiado com a mesma intensidade pelos seus defensores e opositores, o Greenpeace é hoje uma das maiores organizações não-governamentais do mundo voltadas à preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Nascida em 1971, no Canadá, atualmente a entidade está sediada na Holanda, mas conta com escritórios em todos os cinco continentes do planeta.

No Brasil, o Greenpeace (www.greenpeace.org.br) existe oficialmente desde 1992, quando nasceu no rastro das discussões e polêmicas geradas a partir da Eco-92, evento que reuniu no Rio de Janeiro representantes de cerca de 180 países para discutir problemas e soluções ligadas ao meio ambiente em todo o mundo. Hoje, 18 anos depois, o Greenpeace Brasil tem em torno de 300 voluntários em oito capitais do país (São Paulo, Manaus, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre) e conta com escritórios em São Paulo, Manaus e Brasília.

Pedro Torres, coordenador nacional de voluntários do Greenpeace Brasil, falou com exclusividade para a revista Amigos da Natureza sobre o modo como a ONG opera e suas principais campanhas no país.

Quais os principais trabalhos e os métodos de ação do Greenpeace no Brasil?
O Greenpeace é uma ONG que busca a transformação social através da promoção da paz mundial e da justiça ambiental. Fazemos um trabalho de identificação dos problemas e, a partir desses cenários, tentamos reverter os quadros que consideramos negativos. Um bom exemplo é a vitória recente em relação ao arroz transgênico da Bayer. Ficamos contentes em saber que no final de junho a Bayer retirou de votação na CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) a proposta de entrada do arroz transgênico no Brasil. A soja, o algodão e o milho já foram liberados. Agora, devido em parte às nossas ações, evitamos que o arroz, que faz parte do dia-a-dia da alimentação do brasileiro, fosse incluído nessa lista.

Qual tem sido a participação e a posição do Greenpeace no debate sobre a mudança do Código Florestal?
A participação tem sido total. Somos contra as alterações. Achamos que é um retrocesso neste momento em que estamos conseguindo fazer que o nosso código seja cumprido. Temos é que aumentar a fiscalização e não aumentar o desmatamento. O novo código que está sendo proposto abre espaço para que o desmatamento avance na Amazônia e em todas as regiões do Brasil. O Greenpeace é contra essa mudança que está sendo discutida por uma comissão de deputados lotada de ruralistas, em que os interesses econômicos do agronegócio falam mais alto, a favor da expansão predatória das fronteiras agrícolas. A gente não consegue entender como o deputado federal Aldo Rebelo, relator do projeto de lei (cujo texto foi aprovado no dia 9 de julho, mas não tem previsão de ser votado pelos deputados federais), um político tão coerente, está junto com os ruralistas, que estão claramente tomando uma posição favorável ao agronegócio. Acreditamos que mudanças importantes como essa, devem ser amplamente discutidas com a sociedade. A maneira como está sendo feita é uma forma apressada.

Mas, o Greenpeace é a favor de que se façam algumas alterações no Código Florestal ou é totalmente contra?
O Greenpeace é a favor de um Código Florestal que possibilite o desmatamento zero. Qualquer alteração que for feita tem que ser para possibilitar uma maior fiscalização. A cada 18 segundos uma área de floresta equivalente a um campo de futebol é desmatada na Amazônia. Não dá para permitir que aconteça com a Amazônia o que aconteceu com a Mata Atlântica, que foi devastada. É essencial o desmatamento zero e que a gente tenha um aparato estatal de fiscalização para evitar que quem promove o desmatamento ilegal lucre tirando nossas riquezas naturais e gerando desigualdades sociais.

Quais são os principais focos de ação do Greenpeace na Amazônia?
A exploração da madeira na Amazônia era um problema, depois com a expansão do agronegócio a soja virou um problema. Hoje em dia, o principal problema da floresta amazônica é a pecuária. Os grandes fazendeiros descobriram que é muito mais fácil derrubar a floresta e colocar o gado do que derrubar a floresta e ter que cuidar de soja, por exemplo. Ano passado fizemos uma campanha muito forte chamada “A farra do boi na Amazônia”, que chamava a atenção para este problema. Conseguimos uma vitória importante. Conversamos com grandes frigoríficos, mostramos o problema e eles se comprometeram a não mais comprar carne proveniente da área desmatada ilegalmente da Amazônia. Hoje, o Wallmart, o Pão de Açúcar e o Carrefour não compram carne proveniente de desmatamento na Amazônia. Queremos que isso seja expandido também para outros supermercados.

Por que a resistência das indústrias brasileiras em incluir nos rótulos a informação de que certo produto pode conter elementos transgênicos?
É um debate que não está popularizado. Existe um certo temor dos fabricantes de que, se o consumidor souber que existe algo transgênico, ele abandone aquele produto. Hoje existe a obrigação das indústrias rotularem os produtos que tenham elementos transgênicos, mas, praticamente, só as empresas de óleo de soja fazem isso. Muitas vezes o consumidor não sabe que aquele “T” significa transgênico. Fizemos uma campanha sobre transgênicos e muitas pessoas achavam que aquele “T” na embalagem indicava que fosse uma coisa positiva, que indicava que aquele produto estava enriquecido com alguma vitamina, algum suplemento. Olha só que confusão... O consumidor tem o direito de saber se um produto é ou não transgênico. Ainda não há uma base científica sobre os efeitos que os transgênicos podem ter para a saúde e para a própria agricultura.

Recentemente, o Greenpeace se mobilizou contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Por que no Brasil existe tanta resistência contra fontes de energias alternativas?
Estados Unidos e China, que são dois dos países que mais poluem no mundo, estão investindo pesadamente nas energias renováveis. A China tem um parque eólico gigantesco, a exemplo de outros países da Europa. Há uma falta de vontade política, falta de interesse em apoiar a pesquisa. Mas estamos vencendo essas barreiras, vendo crescer o interesse governamental no Brasil para expandir os parques eólicos. O Greenpeace tem parte nesse processo. Mas, sem a ajuda do governo, não vamos conseguir desenvolver isso. É preciso que ele financie pesquisas e projetos para parques eólicos, de energia solar. A usina hidrelétrica de Belo Monte, por exemplo, vai ser a terceira maior hidrelétrica do mundo e não resolverá nosso problema energético. É preciso retirar 23 mil índios do meio do coração da floresta amazônica para produzir energia? O Brasil deve investir em energia limpa, renovável.

Muitas acusações se fazem contra a interferência estrangeira no Brasil através de ONGs. O Greenpeace é uma ONG internacional. Quem determina a pauta de ações do Greenpeace no Brasil?
O Greenpeace é uma ONG internacional, mas o Greenpeace Brasil tem autonomia para decidir os rumos das campanhas no país. Ninguém entende mais a realidade local do que os próprios brasileiros. É claro que uma campanha do Greenpeace Brasil não vai ser igual a do Greenpeace África, do Greenpeace Israel, do Greenpeace China. São problemas diferentes. O deputado Aldo Rebelo faz essas críticas. Se formos buscar na internet de onde vieram as doações para a campanha política dele, vamos verificar que existem multinacionais. Então, ele falar que a gente opera através de interferência estrangeira é engraçado. Nós somos uma ONG com sede na Holanda, mas com escritórios ao redor do mundo que funcionam de maneira autônoma. A gente faz prestação de contas públicas na internet. Não aceitamos dinheiro de partidos políticos, de pessoas jurídicas, de governo, diferente do que acontece com outras ONGs.

O trabalho duvidoso de algumas ONGs não “respinga” na percepção que algumas pessoas podem vir a ter do Greenpeace?
Respinga 100% pela série de escândalos que aconteceram principalmente nos últimos 10 anos. Isso gera desconfiança, por isso temos que manter a nossa isenção. É importante que as pessoas saibam que no Greenpeace não tem dinheiro sujo, que o nosso dinheiro vem só de colaboradores, de pessoas físicas. Não tem dinheiro de empresas privadas e nem de governo. A partir do momento que a gente aceita dinheiro de uma empresa privada não vamos mais ter a nossa autonomia.

O que mudou na população brasileira em relação às discussões ambientais desde que o Greenpeace começou a atuar no país, em 1992?
Hoje qualquer empresa está buscando se tornar uma empresa “verde”. Isso é uma mudança positiva que ocorreu desde a Eco 92. A partir dali a temática ambiental entrou na pauta. Nas escolas a gente vê a criançada muito mais receptiva a trabalhar a questão ambiental. Desde o primário os professores já estão trabalhando questões como o desperdício, o uso racional da água. Essas crianças já têm uma percepção diferente de outras gerações. O debate está em jogo. A gente não quer maquiagem verde. Tem que saber separar o quê e quem é realmente sustentável, quem é ambientalmente correto e, o mais importante, é colocar a discussão na rua. Não somos ingênuos de achar que todo mundo está discutindo a questão ambiental. Ainda temos muito que conquistar, mas o caminho está sendo trilhado. Nesse quase 20 anos no Brasil o Greenpeace acumulou vitórias, junto com outras ONGs e entidades, em busca de um mundo mais justo, pacífico e verde.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Osvaldo Heinrich


Marechal Cândido Rondon começa a semana de luto com a morte de Osvaldo Heinrich, um dos três primeiros pioneiros que começaram a construir o município.

Há pouco menos de um mês fiz aquela que talvez seja uma das últimas, senão a última, entrevista com seu Osvaldo. Foi uma entrevista difícil. Com a saúde bastante fraca e com dificuldades para ouvir, o trabalho contou com a ajuda valorosa de parentes. Ainda assim, uma das entrevistas mais marcantes que fiz nos meus 15 anos como jornalista, afinal eu estava falando com a pessoa que derrubou a primeira árvore na região que viria a se tornar Marechal Cândido Rondon. A matéria saiu publicada no jornal especial sobre os 50 anos do município, publicado pelo jornal O Presente.

Lembro que naquela semana, em conversa com o amigo jornalista Jadir Zimmermann, comentamos como Osvaldo Heinrich era uma pessoa pouco valorizada ao longo dos anos pelo nosso município. Nós não lembrávamos de nenhuma entrevista ou homenagem que havia sido feita com Seu Osvaldo. Tanta gente que havia feito muito menos pelo município já havia sido festejado com confetes, títulos de cidadão honorário e muitas outras homenagens. Já o pioneiro sempre pareceu um tanto esquecido no nosso município. As razões, não fazíamos ideia.

Felizmente, Osvaldo Heinrich foi muito lembrado nas comemorações do cinquentenário do município. Enfim, teve a merecido reconhecimento dos rondonenses ainda em vida. Pagamos uma dívida enorme com ele.

Descanse em paz, Seu Osvaldo. E mais uma vez, muito obrigado por tudo o que fizestes por nós.

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“Eu cortei a primeira árvore em Marechal Rondon”

Os passos são lentos. A fala é arrastada. O corpo, aos 81 anos, não esconde a saúde agora frágil. Da varanda da casa simples onde mora, Osvaldo Heinrich contempla com satisfação o desenrolar de uma história que ele começou a escrever há 60 anos: a história do município de Marechal Cândido Rondon, que em 25 de julho comemora 50 anos de emancipação político-administrativa.

“Eu cortei a primeira árvore”, lembra Osvaldo Heinrich, que no dia 07 de março de 1950 empunhou o machado e desferiu o golpe que ficou marcado para sempre como o mito fundador de Marechal Cândido Rondon, município que não cansa de enaltecer as virtudes, em especial o trabalho e a coragem, de seus pioneiros. Aos poucos, o gesto de Osvaldo foi cada vez mais sendo repetido pelos novos aventureiros e famílias que chegavam para iniciar uma nova vida na vila que florescia em meio a uma densa floresta no extremo-Oeste do Paraná.

Chegada

Osvaldo Heinrich chegou ao que viria a se tornar a cidade de Marechal Cândido Rondon em 22 de novembro de 1949. Aos 20 anos, ele ficou entusiasmado com os relatos do pai, que cerca de três meses antes esteve na região, a convite de Willy Barth, diretor da Colonizadora Maripá, para conhecer á área onde a empresa pretendia iniciar uma nova comunidade.

O pai de Osvaldo voltou para a cidade da família, Panambi (RS) e contou o que viu. Foi então que Osvaldo, solteiro na época, decidiu se aventurar nessa área não civilizada do Oeste do Paraná, juntamente na companhia de Erich Ritscher e Antônio Rockenbach, que também participaram da derrubada da primeira árvore.

Conforme Osvaldo, foram praticamente quatro meses vivendo sozinhos na floresta, dormindo no chão cercados pelos perigos da floresta, que os três homens pareciam desconsiderar. “De Toledo para cá era só mato, mas não era perigoso”, afirma o pioneiro.

Uma vez iniciada a derrubada da mata, os três desbravadores abriram uma clareira de 12,5 alqueires na região onde hoje está instalada a delegacia rondonense. Concluído o trabalho, começaram uma plantação de milho e de mandioca, sendo que as ramas, para iniciar o mandiocal, Osvaldo teve que buscar em Porto Mendes.

Caminhadas

A distância de outras localidades era um desafio e tanto para aqueles que estavam construindo a nova cidade. “Caminhei demais”, afirma Osvaldo, referindo-se aos dias em que andava por horas e horas seguidas a pé para ir até Toledo ou Porto Britânia (Pato Bragado) em busca de mantimentos. “Para ir até Toledo eram dois dias de caminhada, sozinho”, recorda.

Os primeiros tempos eram difíceis. Água eles obtinham das inúmeras fontes e riachos. O prato de praticamente todos os dias era um só: feijão e arroz. Porém, a caça era abundante: anta, paca, cotia, porco do mato, veado e outros animais. “Dentro do mato era só barulho de tanto bicho”, conta o pioneiro.

Como se pode perceber, o trabalho e as dificuldades eram muitas e a diversão, rara. Até porque, segundo ele, no início havia realmente poucas pessoas vivendo na nova vila.

Osvaldo casou com Adelina Vorpagel, já falecida, com quem teve quatro filhos: Nelson, Ilton, Rudi e Melani, que deram ao pai nove netos e dois bisnetos.

Memorial

Seis décadas depois de sua chegada, Osvaldo sente orgulho da cidade que começou a construir na companhia de amigos: “moro aqui há 60 anos. Ninguém imaginava que Marechal Cândido Rondon ficaria desse tamanho. A cidade cresceu, tem prédio, se desenvolveu. Trabalhei demais na vida. Mas a cidade está bonita. Eu estou feliz”.

Osvaldo Heinrich, assim como Erich Ritscher e Antônio Rockenbach, estão
especialmente homenageados no Memorial dos Pioneiros, encomendado pela Acimacar e esculpido pelo artesão rondonense Hedio Strey. A obra fica exposta no Centro de Eventos durante a ExpoRondon. Osvaldo Heinrich participou da cerimônia de inauguração do memorial, ocorrida na noite de quinta-feira (22).


(Texto de Cristiano Viteck, publicado pelo jornal O Presente em julho de 2010)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Eu sou Ozzy


A autobiografia de Ozzy Osbourne, recém lançada no Brasil, mais parece com uma conversa de boteco do que com um livro. “Eu Sou Ozzy”, que figurou bastante tempo na lista dos livros mais vendidos do jornal New York Times, ganhou edição nacional pela editora Benvirá. Nas 380 páginas, o cantor faz um apanhando geral da carreira e revela, principalmente, os momentos mais ferrados de sua vida.

Redigido com a mãozinha de Chris Ayres, “Eu Sou Ozzy” é todo em primeira pessoa. Nada de entrevistas com amigos, ex-namoradas, familiares, músicos, etc. Assim, o clima reinante no livro é de total informalidade. Ozzy faz graça sobre a infância pobre, os primeiros empregos em uma fábrica de buzina e em um abatedouro, a prisão por furto aos 18 anos e outras furadas pelas quais passou.

Mas a coisa começa a ficar mesmo divertida quando a música entrou na vida de Ozzy e ele se tornou um dos cantores de rock mais famosos do mundo. Ozzy fala da formação do Black Sabbath, da chegada do sucesso já com o lançamento do primeiro disco. Diz que a ideia de transformar a banda em um grupo “das trevas” foi do baixista Geezer Butler, mas, nega que qualquer um dos membros do Black Sabbath tivesse o mínimo interesse pelo satanismo.

No final dos anos 70, Ozzy foi expulso do Black Sabbath por uso abusivo de drogas e álcool. Uma ironia, já que todos os demais membros viviam chapados na mesma medida. Então o cantor seguiu carreira solo, no que teve ajuda imensa de Sharon, filha do empresário de sua antiga banda e que acabou virando sua segunda esposa. Ozzy se tornou um artista ainda mais consagrado do que quando estava no Black Sabbath e atualmente segue ativo no mundo da música. Inclusive, lançou não faz muito tempo mais um disco de inéditas.

Contudo, em muitos momentos Ozzy esteve a ponto de jogar tudo para o alto. Os quilos de cocaína cheirados, as toneladas de pílulas engolidas e os zilhões de litros de álcool bebidos por muitos anos torraram não apenas parte da fortuna do cantor, como também fritaram metade dos seus neurônios. Nem ele mesmo sabe como ainda está vivo. Ainda assim, não há como não rir das histórias de Ozzy.

Entre suas façanhas extramusicais que merecem menção honrosa estão arrancar a cabeça de um morcego a dentadas durante um show pensando se tratar de um boneco de borracha, arrancar com uma mordida a cabeça de uma pomba em uma reunião com executivos de gravadora e cheirar uma carreira de formigas para parecer mais fodão do que os caras do Motley Crue. Coisas horríveis de fazer, mas engraçadas de contar. Lendo o livro, a gente ri até de outras coisas nada risíveis, como da época em que Ozzy costumava acordar todo cagado e mijado por estar totalmente fora da casinha de tanto álcool e drogas. Tudo contado sem pudor ou autopiedade.

Só que esses tempos de pé na jaca já ficaram para trás. Hoje, o músico é um cantor de 60 e poucos anos quase careta, que já foi recebido pela rainha da Inglaterra, se tornou amigo do ídolo da adolescência Paul McCartney, tem o seu próprio e gigante festival de música, virou astro da TV com o seriado da MTV Os Osbournes e tem punhados de discos de ouro espalhados pelas paredes de casa. Nada mal para quem saiu de uma biboca na Inglaterra e pensava que ia passar a vida inteira trabalhando como afinador de buzinas.

Como ele mesmo afirma no livro: “se não viver nem mais um dia, terá sido uma boa vida. Quanto a mim, só quero passar o resto dos meus dias sendo um roqueiro”. Este é o Ozzy...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Trajetória da imprensa rondonense: de 1966 aos dias atuais


Ao longo de seus 50 anos, Marechal Cândido Rondon se consolidou como um dos municípios do Paraná que possui algumas das empresas de comunicação mais influentes do Estado, seja pela solidez de suas empresas como pela qualidade de seu trabalho.

A história da imprensa rondonense começou de fato quando a Rádio Difusora AM foi ao ar pela primeira vez, em 19 de novembro de 1966. A empresa, de propriedade do ex-prefeito Arlindo Alberto Lamb, tinha como diretor Antônio Maximiliano Ceretta. O Primeiro noticiário da rádio se chamava “No Mundo das Notícias, as Notícias do Mundo”, mas mudou de nome em 1971 e passou a ser “O Mundo em Revista”. A mudança definitiva do principal noticiário da emissora ocorreu em 19 de março de 1973, quando passou a ser conhecido como “Frente Ampla de Notícias”.

Já em 19 de novembro de 1988, a Difusora inaugurou a sua emissora FM, 95,1. Na época a empresa era propriedade do empresário Élio Winter. Em 1994, as emissoras AM e FM foi vendidas ao empresário Alcides Waldow.

A Rádio Educadora AM foi inaugurada em 3 de agosto de 1978, com a presença do então governador Ney Braga. Inicialmente, a empresa era propriedade de Werner Wanderer, Guido Port, Arnold Lamb, Almiro Bauermann e Egon Wanderer. Hoje, a empresa pertence a Werner Wanderer, sua esposa Elisabeth e o filho Klaus, além de Dirceu da Cruz Vianna. Já a Atlântida 94,1 FM, emissora irmã da Rádio Educadora, foi ao ar em 25 de julho de 1991.

44 anos no ar

Dirceu da Cruz Vianna é comunicador que há mais tempo atua em Marechal Cândido Rondon: 44 anos. Natural de Ponta Grossa, chegou em Marechal Cândido Rondon em 1960 e começou a sua carreira fazendo anúncios em carros de som na cidade e no interior do município. Depois, trabalhou no serviço de alto falantes Guarani. Contudo, a sua estreia como radialista foi em 19 de novembro de 1966, quando a Rádio Difusora começou a operar. Ele conta que foi convidado pelo então diretor da emissora, Antônio Maximiliano Ceretta. com quem aprendeu a fazer locução, redação de textos comerciais e de notícias e a narrar eventos esportivos. “Eu só não limpei banheiro, porque até cafezinho eu fiz”, afirma o comunicador.

De acordo com ele na época, o rádio era a principal fonte de informações sobre o que acontecia no mundo. Televisão era algo que a maioria das pessoas nem conheciam, as revistas demoravam a chegar. Para as notícias nacionais, internacionais e também do Estado, a emissora gravava o noticiário das grandes emissoras do Paraná, Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Depois, as notícias eram transcritas e levadas ao ar nos noticiários da Rádio Difusora, junto comas notícias locais.

Outro desafio, segundo ele, eram as transmissões ao vivo. Dirceu conta que os funcionários da rádio colocavam cabos em locais onde aconteciam os principais eventos do município, como campos de futebol e salões: “existiam cabos da rádio até o Clube Lira, até o antigo campo do Flamengo, do Botafogo. Puxamos cabos daqui ao salão de Quatro Pontes e no campo de futebol para fazer transmissão. Era um arame comum. Tinha que fazer tudo certinho com isoladores, com postes que a gente mesmo tinha que cavar para colocá-los. Era difícil, mas era gostoso. A gente não reclamava.”

Um dos quadros de maior sucesso na Rádio Difusora, no final dos anos 60, era o programa de auditório que ia ao ar nos domingos pela manhã, transmitidos ao vivo do Cinemaver, onde até recentemente funcionava o Centro Cultural Professor Eloi Urnau. “Era um programa infantil com brincadeiras de palco, a criançada cantava, participava de jogos e eram distribuídos brindes como bolas, doces. Era um programa como esses de auditório que hoje são feitos na televisão. Foi nesse programa que surgiu um cidadão chamado Walter Basso, que cantou a música ‘Futebol da Bicharada’. Depois ele foi operador na rádio. Depois, bem mais tarde ele começou como locutor, teve o conjunto dele, Os Vikings, e alcançou o momento máximo de prosperidade como músico”, destaca.

Dirceu deixou a Difusora em 1980 e passou a ser sócio-proprietário da Rádio Educadora, onde continua a sua carreira até hoje, apresentando diariamente o Programa do Nhô Jeca.

Entre os momentos mais marcantes da carreira ele cita a visita do presidente Ernesto Geisel em 19 de março de 1976: “foi um tumulto, no bom sentido. Foi muito gratificante”. Dirceu também cita o acidente em Sete Quedas e depois acompanhar a formação do lago de Itaipu, em 1982.

Na opinião de Dirceu, as emissoras de rádio tiveram um papel muito importante na história rondonense. “Nós acompanhamos aquela garra dos pioneiros, aquele sentimento de unidade, de batalhar junto. Esse sentimento a gente transmitia. Uma emissora de rádio, um jornal, tem sempre que fazer com que essa motivação continue viva. A nossa atividade é essa. Nunca desanimar, porque se a gente desanimar vamos desanimar uma região inteira”, argumenta.

Impressos

Na imprensa escrita, o primeiro jornal foi o Desbravador, que começou a circular em 31 de julho de 1968. Apesar de ser o órgão oficial da Associação Rondonense de Estudantes Secundários (Ares), o tablóide, dirigido por Elio Winter, cobria os fatos que aconteciam também no município. Em 25 de março de 1970, o jornal passou a se chamar Impulso, que encerrou as atividades em setembro do mesmo ano.

No dia 15 de março de 1974 nasceu o segundo jornal do município, Rondon Comunicação, de propriedade da Editora Grafo-Set. Posteriormente, o jornal foi vendido para a Editora Oeste e depois para a Editora Independente, de Cascavel, que mudou o nome do veículo para Rondon Hoje. O jornal circulou até o início dos anos 1980.

Antes disso, em 1979, o atual sócio-proprietário e editor do semanário O Jornal, Hugo Balko, foi o editor do jornal O Alento, que passou a circular em 04 de agosto de 1979. A empresa era de propriedade de Frederico von Borstel, Ralf Konieczniak, Ido Welp e Harri Strenske.. Em 1982, Hugo Balko e seu irmão Richardt compraram a empresa e mudaram o nome do veículo para A Semana, que deixou de circular em 1985, quando os novos proprietários Airton Kraemer e Freddy Schlosser assumiram o jornal, que passou a ser conhecido como A Tribuna. Este deixou de circular no início dos anos 1990.

Foi então que em 4 de outubro de 1991 nasceu O Presente, do jornalista Arno Kunzler, que desde 1983 já administrava a sucursal rondonense do jornal O Paraná, de Cascavel. O Presente inovou no município ao publicar a sua primeira edição em cores em 24 de outubro de 1997. Mas a maior mudança ocorreu em 03 de março de 2001, quando O Presente passou a ser diário. O fato foi marcado por um grande evento no Clube Concórdia, que contou com a presença do então secretário estadual de Comunicação, Rafael Greca. Hoje, O Presente é um dos principais jornais diários do Paraná e desde 2004, conta na sua direção com o sócio-proprietário Paulo Rodrigo Coppetti.

Também fazem parte da história da imprensa escrita do município os jornais A Notícia, fundado em 1994 por Freddy Schlosser; O Pasquim do Oeste, criado em 1995 por Ana Maria de Carvalho; a Fronteira Rural, lançado em 1995 por Airton Kraemer; Nossa Terra, surgido em 2000 por iniciativa do empresário Arno Kunzler; Livre Expressão, que nasceu em 2005 e era propriedade de Egon Hachmann, Dieter Seyboth, Sidnei Pruinelli e Anna Bersch; e Olho no Lance, que surgiu em 2006 por iniciativa de Anderson Pícolo e Alsemir Wilhelms.

No segmento de revistas, fazem parte da trajetória jornalística do município a Região em Revista, fundada em 1999 por Jadir Zimmermann e Luis Carlos Diesel, empreendimento que depois foi assumido pelo empresário Neri Wagner; a Revista Amigos da Natureza, criada em 2001 por Arno Kunzler e que até hoje mantém ampla circulação nacional, atendendo a mais de 700 municípios com suas produções pedagógicas e jornalísticas focadas no meio ambiente. Atualmente, também circulam no município a Conceito em Revista e a Life.

Desde 2004, o município também conta com uma emissora de televisão, a TV Rondon, que inicialmente se chamava Canal 10, e dois sites focados na produção de notícias regionais: AquiAgora.Net, que surgiu em 2009 e é propriedade de Jadir Zimmermann; e MCR em Foco, criado este ano. O município conta com a Rádio Comunitária, que está sob responsabilidade de diversas entidades.

Rádio e jornal


Outra trajetória marcante na imprensa rondonense é a de Harto Viteck, que há 20 anos apresenta o programa Música Alemã, na Rádio Difusora AM, e há 19 anos assina a coluna que leva seu nome, no jornal O Presente.

A carreira de Harto na imprensa iniciou em 1971 como sonoplasta na Rádio Difusora. Três meses depois, passou a fazer também locução e também a trabalhar na redação da emissora, ajudando na compilação de notícias nacionais e internacionais. “Em 1973 fiz minha estréia como repórter na Rádio Difusora. Fui destacado para fazer a cobertura da grande enchente daquele ano que acabou levando a ponte de madeira sobre o Rio São Francisco, na estrada que liga Pato Bragado a Entre Rios do Oeste, então distritos rondonenses. Anos depois acabei saindo da emissora, mas retornei em setembro de 1989, a convite do então diretor da Rádio Difusora, Elio Winter, para reestruturar o programa de música popular alemã, um dos mais tradicionais da emissora. E lá estou até hoje como muito apreço”, afirma.

Já na mídia impressa, Harto começou trabalhando no jornal Rondon Comunicação. Apesar de ser um período em que a imprensa era bastante controlada pelo regime de governo da época, ele não lembra de algum episódio em que o veículo tenha sofrido censura, até porque “a linha editorial adotada pelos proprietários do semanário não era ideológica. Seguia a política da ‘verga’”. Embora tenha sido um tempo bastante curto de trabalho na empresa, Harto garante que a experiência foi de grande aprendizado, entre tropeços e acertos: “muito do que tinha aprendido na área de notícias da Rádio Difusora foi extremamente útil no novo emprego”.

Por outro lado, ele ressalta que tão semelhante como volta dele à Rádio Difusora foi o regresso ao jornalismo impresso em 1991. A convite de Arno Kunzler, passou a escrever uma coluna semanal no O Presente. Nesse período, Harto já assinou cerca de 900 colunas.

Questionado sobre a diferença de se produzir um jornal nos dias de hoje em relação ao período em que iniciou na imprensa, nos anos 70, ele afirma que a informática facilitou muito o trabalho. “O que não mudou e é um mal em toda a imprensa nacional, com raras exceções, é o departamento comercial ainda ditando muitas vezes as pautas de redação. Não deveria ser assim. Quando isso acontece a verdade, muitas vezes , fica obscurecida e as relevâncias relegadas. Matérias de menos importância acabam alçadas à condição de super notícias”, pondera.

Nessa linha, Harto entende que apesar dos pecados cometidos e alguns que ainda vem cometendo, a imprensa local foi e é de grande importância para Marechal Cândido Rondon e região: “mesmo cometendo erros, o saldo de acertos e de relevância da imprensa para Marechal Cândido Rondon é altamente positivo. Sempre foi responsável, de alguma forma, por encaminhar e conduzir as grandes bandeiras do nosso crescimento e desenvolvimento. Certamente, sem o abnegado trabalho dos profissionais da imprensa, muitos de nossos interesses não teriam se concretizado. E será este o papel da nossa imprensa : construir e reconstruir nossas melhores aspirações e buscar incessantemente elevar o nível cultural de nossa gente”.

LEGENDA: Edição nº 1 de O Desbravador, primeiro jornal do município.


Mídia e Memória

“Foi pensando na relação entre jornalismo e história que resolvemos reconstruir a trajetória dos veículos de comunicação de Marechal Cândido Rondon em um livro-reportagem, trazendo a público elementos historiográficos do município rondonense, com o propósito de enriquecer o arsenal cultural local.

'Mídia e Memória: estórias dos veículos de comunicação do município de Marechal Cândido Rondon contadas por seus protagonistas' foi publicado em 2009 e teve sua origem como um trabalho de conclusão do curso de Jornalismo. No livro, apresentamos, especificamente, os veículos de comunicação que surgiram após a emancipação do município. Sabemos que antes disso, quando Marechal Cândido Rondon ainda se chamava General Rondon e era distrito de Toledo, existiu outro veículo de comunicação na área impressa, caso do jornal O Minuano. Há pessoas que dizem, inclusive, que além do Minuano, existiram outros jornais na década de 50.

A obra é importante porque os veículos de comunicação estão presentes diariamente na vida das pessoas, mas muitas não sabem a história da rádio que escutam, do jornal e da revista que leem e nem da televisão que assistem. Além de não deixar a história morrer, encontramos relíquias para o jornalismo rondonense".


* Ana Paula Wilmsen e Maria Cristina Kunzler, jornalistas e autoras do livro "Mídia e Memória: estórias dos veículos de comunicação do município de Marechal Cândido Rondon contadas por seus protagonistas"


(Cristiano Viteck, O Presente - 50 anos de Marechal Cândido Rondon _ JULHO/2010)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O dia que Marechal Rondon recebeu o presidente do Brasil


No dia 19 de março de 1976, Marechal Cândido Rondon recebeu a visita histórica do então presidente de República, Ernesto Geisel. O motivo principal foi a abertura simbólica da colheita da soja, que naquele ano produziu 200 mil toneladas. Geisel também inaugurou a segunda etapa do Programa de Eletrificação Rural e entregou aos agricultores da região 3.248 títulos de propriedade de terra.

Além de Ernesto Geisel, na oportunidade também esteve no município o governador Jayme Canet Junior. Eles foram recepcionados pelo prefeito Almiro Bauerman, pelo presidente da Copagril, Leopoldo Pietrowski, pelo ex-prefeito e ex-deputado Werner Wanderer, pelo general Hugo de Abreu e por milhares de pessoas que vieram de toda a região.

Segundo Werner Wanderer, foi ele quem fez o convite para a vinda de Ernesto Geisel. Em declaração publicada no livro Mídia e Memória, das jornalistas Ana Paula Wilmsen e Maria Cristina Kunzler, Werner garante que “o presidente não viajava. Ele era militar e não tinha costume de participar dos eventos. Então, a vinda dele para Rondon foi um fato histórico não somente para o município, mas foi destaque em nível nacional. Todo mundo perguntava o que havia acontecido para o presidente viajar para Rondon. E a visita de Geisel trouxe muitos benefícios. Por exemplo, na época era proibido criar municípios, mas as lideranças nova-santarrosenses aproveitaram a vinda de Geisel e falaram com o presidente e ele acabou autorizando a criação do município de Nova Santa Rosa. Outra coisa foi o Banco do Brasil, que foi criado em Rondon por causa da visita de Geisel. Também foi inaugurado um trecho de eletrificação rural, o que depois foi estendido em todo o município”.

Algo nunca visto

O radialista Dirceu da Cruz Vianna participou da cobertura jornalística da visita presidencial. Destacado para cobrir a chegada do presidente ao aeroporto, Dirceu conta que havia um esquema de segurança muito grande e nenhum repórter pode, durante a visita, entrevistar diretamente Ernesto Geisel. “Foi um tumulto, no bom sentido. Mas, foi gratificante”, garante o radialista.

“O presidente teve um aparato militar muito grande. Ele chegou ao aeroporto por volta das 10h00 da manhã e dali foi inaugurar a eletrificação rural em uma propriedade próxima. O palanque para o pronunciamento das autoridades foi montado na área onde hoje está localizada a prefeitura. Da área onde hoje está o Fórum até onde hoje é o jornal O Presente, aquilo estava coalhado de gente. Cerca de 12 mil pessoas! Nunca tinha visto algo igual”, lembra Dirceu.

Segundo ele, naquele dia grandes almoços foram servidos em pontos diferentes da cidade para celebrar a visita do presidente. Conforme o radialista, só no antigo Campo do Oeste, onde hoje está construído o Estádio Municipal Valdir Schneider, foi montada uma churrasqueira com mais de 100 metros: “também havia outros pontos onde foram preparados e servidos o almoço. Era como se todos nós, aquelas milhares de pessoas, estivéssemos almoçando junto com o presidente, que estava lá no Clube Concórdia”.

Ernesto Geisel permaneceu em torno de quatro horas em Marechal Cândido Rondon e deixou o município por volta das 14h00.

Fontes:
WEIRICH, Udilma Lins. “Histórias e Atualidades: perfil de Marechal Cândido Rondon”. Marechal Cândido Rondon: Editora Germânica, 2004.
WILMSEN, Ana Paula; KUNZLER, Maria Cristina. “Mídia e Memória: estórias dos veículos de comunicação do município de Marechal Cândido Rondon contadas por seus protagonistas”. Marechal Cândido Rondon: Editora Germânica, 2006.


CRÉDITO DA FOTO: Arquivo pessoal de Dirceu da Cruz Vianna.


(Cristiano Viteck, O Presente - 50 anos de Marechal Cândido Rondon _ JULHO/2010)