quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Eu sou Ozzy


A autobiografia de Ozzy Osbourne, recém lançada no Brasil, mais parece com uma conversa de boteco do que com um livro. “Eu Sou Ozzy”, que figurou bastante tempo na lista dos livros mais vendidos do jornal New York Times, ganhou edição nacional pela editora Benvirá. Nas 380 páginas, o cantor faz um apanhando geral da carreira e revela, principalmente, os momentos mais ferrados de sua vida.

Redigido com a mãozinha de Chris Ayres, “Eu Sou Ozzy” é todo em primeira pessoa. Nada de entrevistas com amigos, ex-namoradas, familiares, músicos, etc. Assim, o clima reinante no livro é de total informalidade. Ozzy faz graça sobre a infância pobre, os primeiros empregos em uma fábrica de buzina e em um abatedouro, a prisão por furto aos 18 anos e outras furadas pelas quais passou.

Mas a coisa começa a ficar mesmo divertida quando a música entrou na vida de Ozzy e ele se tornou um dos cantores de rock mais famosos do mundo. Ozzy fala da formação do Black Sabbath, da chegada do sucesso já com o lançamento do primeiro disco. Diz que a ideia de transformar a banda em um grupo “das trevas” foi do baixista Geezer Butler, mas, nega que qualquer um dos membros do Black Sabbath tivesse o mínimo interesse pelo satanismo.

No final dos anos 70, Ozzy foi expulso do Black Sabbath por uso abusivo de drogas e álcool. Uma ironia, já que todos os demais membros viviam chapados na mesma medida. Então o cantor seguiu carreira solo, no que teve ajuda imensa de Sharon, filha do empresário de sua antiga banda e que acabou virando sua segunda esposa. Ozzy se tornou um artista ainda mais consagrado do que quando estava no Black Sabbath e atualmente segue ativo no mundo da música. Inclusive, lançou não faz muito tempo mais um disco de inéditas.

Contudo, em muitos momentos Ozzy esteve a ponto de jogar tudo para o alto. Os quilos de cocaína cheirados, as toneladas de pílulas engolidas e os zilhões de litros de álcool bebidos por muitos anos torraram não apenas parte da fortuna do cantor, como também fritaram metade dos seus neurônios. Nem ele mesmo sabe como ainda está vivo. Ainda assim, não há como não rir das histórias de Ozzy.

Entre suas façanhas extramusicais que merecem menção honrosa estão arrancar a cabeça de um morcego a dentadas durante um show pensando se tratar de um boneco de borracha, arrancar com uma mordida a cabeça de uma pomba em uma reunião com executivos de gravadora e cheirar uma carreira de formigas para parecer mais fodão do que os caras do Motley Crue. Coisas horríveis de fazer, mas engraçadas de contar. Lendo o livro, a gente ri até de outras coisas nada risíveis, como da época em que Ozzy costumava acordar todo cagado e mijado por estar totalmente fora da casinha de tanto álcool e drogas. Tudo contado sem pudor ou autopiedade.

Só que esses tempos de pé na jaca já ficaram para trás. Hoje, o músico é um cantor de 60 e poucos anos quase careta, que já foi recebido pela rainha da Inglaterra, se tornou amigo do ídolo da adolescência Paul McCartney, tem o seu próprio e gigante festival de música, virou astro da TV com o seriado da MTV Os Osbournes e tem punhados de discos de ouro espalhados pelas paredes de casa. Nada mal para quem saiu de uma biboca na Inglaterra e pensava que ia passar a vida inteira trabalhando como afinador de buzinas.

Como ele mesmo afirma no livro: “se não viver nem mais um dia, terá sido uma boa vida. Quanto a mim, só quero passar o resto dos meus dias sendo um roqueiro”. Este é o Ozzy...

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