sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Esquadrilha da Fumaça: orgulho brasileiro


Por volta das 15h45 de ontem (09), pousou no aeroporto de Marechal Cândido Rondon o avião número 2 da Esquadrilha da Fumaça, pilotado pelos capitães Álvaro Escobar Veríssimo e Marcos Mendes Conrado Veiga. Eles permanecem até hoje (10) na cidade, definindo detalhes da apresentação que a Esquadrilha da Fumaça fará em Marechal Rondon no dia 07 de abril, sobre o Lago Municipal.

Segundo o Capitão Escobar, a visita é uma missão precursora que serve para “arrumar a casa” para a demonstração completa. Nessa missão que está sendo desenvolvida ontem e hoje (10), de acordo com o oficial, “são levadas em consideração principalmente os itens de segurança do ponto a ser voado e do aeroporto onde vamos ficar baseados na cidade. Também é definido todo o apoio de infraestrutura para que a apresentação ocorra”.

Tão logo o avião pousou no aeroporto rondonense, diversas pessoas foram ao local, onde puderam ver de perto a aeronave da Esquadrilha da Fumaça. De fato, a chegada dos oficiais chamou a atenção, já que os pilotos realizaram algumas manobras sobre a cidade e um rasante sobre o aeroporto.

Questionando se chegar dessa maneira, com grande surpresa, é um costume dos pilotos, bem humorado o Capitão Escobar explicou que “esta é uma forma de avisar a população que a Esquadrilha da Fumaça está chegando. É um anúncio de que viremos em breve”.

Equipe

Uma demonstração da Esquadrilha da Fumaça movimenta uma equipe de 63 pessoas. São 13 pilotos e mais três oficiais que trabalham no solo, 32 graduados e o restante são os responsáveis pelos trabalhos de manutenção e serviço administrativo. Quanto às aeronaves, são oito aviões modelo T-27, fabricados pela Embraer em 1983. Desses, um fica de reserva no chão e os outros sete fazem as evoluções no céu.


Um T-27 é um avião turboélice com envergadura de 11,14 m, 9,86 m de comprimento e 1.810 kg. A velocidade máxima é de 457 km/h e a altura máxima de vôo é de 9.936 m, com razão de subida de 810 m/min.

O Capitão Escobar explica que para integrar a Esquadrilha da Fumaça, o piloto precisa, em primeiro lugar, ser instrutor de vôo da Academia da Força Aérea. Sendo admitido pelo Conselho de Admissão, o piloto passar por um treinamento que dura até seis meses, estando então apto a assumir a posição de vôo na qual ele foi escolhido para atuar. Cada piloto permanece, no máximo, quatro anos na Esquadrilha da Fumaça.

60 anos

Em 2012, a Esquadrilha da Fumaça comemora 60 anos. Hoje, é a segunda equipe de apresentação aérea mais antiga do mundo, ficando atrás apenas da esquadrilha da Marinha dos Estados Unidos, conhecida como Blue Angels (Anjos Azuis). “A Esquadrilha da Fumaça é reconhecida mundialmente. Na América do Sul só não se apresentou ainda na Guiana Francesa. Na América Central já foram feitas apresentações em vários países, assim como Canadá e Estados Unidos. Na Europa, em Portugal, França Inglaterra e Alemanha. Já teve uma ocasião em que os pilotos foram até o Egito fazer uma demonstração com o T-27. Os convites internacionais continuam surgindo e a gente atende na medida do possível”, ressalta o Capitão Escobar.

O oficial também fala sobre os riscos que sempre estão envolvidos neste tipo de apresentação. O último acidente fatal aconteceu em 02 de abril de 2010, durante um show em Lages (SC), quando morreu o piloto Anderson Amaro Fernandes.

Segundo o Capitão Escobar, em relação à segurança e preparação dos pilotos, a rotina aérea contempla dois pilares muito importantes para o sucesso de qualquer operação dessa natureza. “São a doutrina e o treinamento. A gente incute a doutrina no dia-a-dia de cada piloto e fazemos os treinamentos rotineiros, além das próprias demonstrações, que não deixam de ser um treinamento real, uma missão real. Temos um ou dois treinamentos semanais completos de bom tempo, de mal tempo e treinamentos suplementares a cargo do Setor de Operações. O treinamento é contínuo e a renovação da doutrina se dá dia após dia”, assegura.

Sonho de criança



Sobre a emoção de integrar um grupo de elite da aviação mundial como a Esquadrilha da Fumaça, quem fala é o Capitão Conrado, que na última apresentação em Marechal Cândido Rondon, em 2010, veio como piloto do avião Bandeirante que dá apoio ao grupo.

Integrado como piloto da Esquadrilha da Fumaça em 2011, ele diz que poder fazer parte dela gera muita satisfação: “realizei um sonho de criança. É um caminho longo a ser percorrido até chegar à Esquadrilha. No meu caso, tenho 14 anos de Força Aérea Brasileira e ser aceito por esse time é um orgulho muito grande”.

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