quinta-feira, 9 de junho de 2011

A felicidade de uma nação começa nas panelas


Ontem, acompanhando os noticiários sobre a posse de Gleisi Hoffmann, me chamou atenção uma afirmação da nova Ministra da Casa Civil. Ela disse que mesmo em Brasília, onde passou a morar depois que assumiu o cargo de senadora, fazia questão de levar todos os dias os seus filhos pequenos à escola. Um gesto que poderia ser banal até, mas que chama a atenção nesses tempos em que está cheio de crianças “filhas de chocadeira” por aí em decorrência de pais ausentes, ou daquelas mães lelés da cuca que acham normal jogar seus bebês recém-nascidos no lixo...

Não precisa se esforçar muito pra chegar à conclusão de que, se boa parte da molecada de hoje tá virada do avesso, deve-se muito ao esfacelamento familiar, com pais ausentes que precisam trabalhar para garantir condições mínimas de manter o lar; ou que por desleixo mesmo, deixam os filhos entregues aos deus-dará.

Final de semana, deparei-me com esse texto abaixo, do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre. Trata-se de um trecho do Manifesto Regionalista, que ele escreveu na década de 1920. Na defesa da cultura regional do Nordeste (e em extensão às culturas de todas as regiões do país), o autor do clássico Casa Grande & Senzala afirmou:

“Uma cozinha em crise significa uma civilização inteira em perigo: o perigo de descaracterizar-se. As novas gerações de moças já não sabem, entre nós, a não ser entre a gente mais modesta, fazer um doce ou um guisado tradicional e regional. Já não tem gosto e nem tempo para ler os velhos livros de receita da família. Quando a verdade é que , depois do livros de missa, são os livros de receita de doces e de guisados os que devem receber das mulheres leitura mais atenta. O senso de devoção e a obrigação devem completar-se nas mulheres do Brasil, tornando-as boas cristãs e, ao mesmo, boas quituteiras, para assim criarem melhor os filhos e concorrerem para a felicidade nacional. Não há povo feliz quando às mulheres falta a arte culinária. É uma falta quase tão grave como a da fé religiosa”.

Meio machistão o negócio aí, mas se for pensado no contexto em que foi escrito, é mais ou menos o pensamento comum da época. E muito dele vale também para os dias atuais.

Não sou maluco de dizer que mulher tem que só cuidar da casa, dos filhos, caprichar no fogão e ler livro de novena. Claro que toda mulher tem todo o direito de viver plenamente todas as conquistas alcançadas nas últimas décadas. Mas, isso, não significa que a mulher deve abrir mão do seu papel de mãe e esposa. São poucas as coisas que deixam um homem e os filhos com um sorriso de orelha a orelha. Uma delas é uma mulher e mãe de mão cheia na cozinha - e nisso, a Dona Elenita e a minha cara-metade Puky são nota 10! A luta constante contra a balança é prova disso...

Enfim... Não sei se chego ao ponto de afirmar, como Gilberto Freyre, que uma mulher que cozinha bem está promovendo a felicidade nacional. Mas do lar e da família, isso com certeza! E como um lar se constrói a dois, estou me aventurando também na cozinha. É um tipo de culinária meio ogra a que eu pratico por enquanto. Não chega a salvar o Brasil, mas até que é bem divertido...

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